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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

27
Jul17

Podem bater-me que eu deixo...

Susana

A infantilização das pessoas aumentou substancialmente com a proliferação dos programas da manhã das rádios. Acreditem em mim.

 

O rádio do nosso carro anterior não funcionava, por algum motivo sobrenatural recusava-se a sintonizar fosse o que fosse em FM ou AM e quando alguém me perguntava se eu tinha ouvido a chamada do Nilton não sei para onde, a piada do Bruno Nogueira sobre não sei o quê ou a última polémica do Markl sobre qualquer coisa, eu metia um sorriso trinta e um e respondia que infelizmente o meu carro não tinha rádio.

 

Agora que tenho um carro em que o rádio funciona e que passo por todas as estações para tentar encontrar uma que não tenha humanos de QI duvidoso a falar, eu percebo finalmente que estive numa redoma protegida das idiotices, das piadas secas, das informações básicas e dos risinhos falsamente cúmplices dos locutores desses programas. Por momentos sinto os meus neurónios a aproximarem-se do abismo e tenho que desligar o rádio e meter um CD a tocar.

 

Mil vezes os Caricas, a Sara, a mala cor-de-rosa da Xana Toc Toc, ou qualquer coisa cantada com voz idiota, é que esses pelo menos são assumidamente para crianças.

26
Jul17

Avós, todos os dias

Susana

Do meu avó Marcelino recordo a sua serenidade e o quanto trabalhou, recordo as favas e as ervilhas colhidas na horta em frente a casa e a figueira que dava os figos mais doces que alguma vez comi. Da minha avó Henriqueta recordo o quanto gostava de se sentar a apontar numa folha quantos netos, bisnetos, primos, irmãos e sobrinhos tinha, recordo o seu corpo franzino, as mãos enrugadas e os olhos cansados da vida que lhe foi amarga. Do meu avó Júlio recordo a bondade e a alegria, o colo que cheirava sempre a carinho, as caracoletas guisadas e o Sumol de laranja nas tardes longas do Romeirense. Da minha avó Natália, a única a quem eu ainda posso abraçar, que carrega nela a saudade dos que partiram, guardo o desejo de a continuar a ter por cá, com o seu rosto que não envelhece, com o sorriso de criança que a ajuda a enganar o medo de nos deixar.

 

Dos meus filhos que têm a sorte de ter a avó "gata", a avó "chana", o avô João da França e o avô Júlio, que os amam, que os mimam, que os enchem de bolachas, de brincadeiras e de amor, desejo que continuem a retribuir cada gesto com toda a sua doçura e que guardem tão boas recordações, como as que eu tenho dos meus avós.

 

Hoje é o dia dos avós, todos os dias são dias dos avós.

26
Jul17

O meu filho é um ninja

Susana

A gravidez não foi planeada, eu tomava a pílula e ele conseguiu ser o espermatozoide mais rápido e mais oportunista. Às sete semanas de gravidez, contra todas as certezas médicas que eu estaria a abortar, numa consulta em que esperava o pior, ouvi um coraçãozinho a bater forte e resistente.

 

Nasceu às quarenta e uma semanas e três dias, sem eu nunca ter sentido uma contração, sem ele ter feito o favor de se encaixar, obrigando-me a uma cesariana, só para contrariar os meus planos de ter um parto natural.

 

Se eu tivesse deixado ainda hoje mamava, deixei-me disso aos cinco meses, por precisar de tomar medicação e também porque a bem da verdade, amamentar não é a minha cena, depois falamos sobre isso com calma e paninhos quentes.

 

Adora comer, comer, comer, é uma espécie de monstro das bolachas Maria. Não descobrimos até agora algum alimento que ele não goste. Quer comer sempre sozinho, o que me deixa muito orgulhosa e também lixada da vida, quando tenho que apanhar quilos de arroz do chão ou tenho que limpar iogurte da capa do sofá, mas como sou uma mãe fixe, apoio a independência, bla, bla, bla e ele come quase sempre sozinho.

 

Detesta dormir, odeia tanto o sono como os comunistas odeiam o capitalismo. Dorme mal desde sempre e nós com ele. É rara a noite em que não acorde para vir para a nossa cama e é raro acordar depois das seis da manhã, seja dia de semana ou fim-de-semana, faça chuva ou faça sol, mais certo que o camião do lixo que passa na nossa rua todos os dias às seis e meia da manhã e mais fiável que o galo do quintal do vizinho.

 

Ainda assim, acorda sempre bem-disposto, sempre! Alguém que entenda isto, porque o meu mau humor matinal não entende. Fala, canta, ri-se. Igual só mesmo o pai, a boa disposição matinal de todo o mundo concentrou-se neles dois.

 

Delira com canetas, principalmente porque elas servem para riscar as mãos, as pernas, as capas das cadeiras, o chão, as paredes e os livros da irmã, o que a deixa à beira de um ataque de nervos. Também é adepto da destruição, mais uma vez dos livros da irmã, das construções que ela faz com os legos ou das brincadeiras que ela esteja a fazer no momento. Se a irmã não o deixar brincar com ela, transforma-se num trator que leva tudo à frente e não desiste dos brinquedos que quer. É uma animação.

 

Não se deixa abater com questões existenciais, é despachado e desprendido. Quando os levamos à escola, faz adeus e vira as costas. A semana passada, depois de quinze dias de férias, a irmã foi para a colónia no Jardim Zoológico e ele foi para a escola sozinho. No primeiro dia ensaiou um chorinho, mas foi todos os outros dias sem dramas. Ontem a irmã regressou à escola, chorou baba e ranho, a drama queen do costume e ele solidário com ela chorou também pela primeira vez. Aposto que hoje ela vai ficar a chorar sozinha, que ele não é de perder tempo com choros. O pai já me conta como foi.

 

Tirando uma fase ou outra, é raro fazer birras, (graças a todos os santos e anjinhos que para birras e choros já temos especialista), tendo bolachas Maria, Masha e o Urso na televisão e o pai por perto, não há nada que o aborreça demasiado.

 

Tem uns olhos que iluminam o dia mais cinzento, a gargalhada mais maravilhosa que possam imaginar, adora cantar e dançar e amarrar o burro quando não lhe fazemos as vontades e deu-me um beijinho pela primeira vez já tinha dois anos. É um ninja, uma máquina de fazer barulho, uma peste que não nos deixa dormir, é o menino do papá, uma bênção nas nossas vidas.

18
Jul17

My little drama queen

Susana

Ontem a minha filha foi para o primeiro dia de uma colónia de férias a rir e a saltar, chegou eufórica e foi o caminho todo a contar-me o que tinha feito e o que tinha visto. Hoje foi a chorar compulsivamente porque queria que eu fosse com ela, também eu queria, mas ser adulto é fodido, um dia ela vai perceber. Conheço-a de trás para a frente, já tinha percebido que hoje ia dar merda, mas como sei que lhe passa rapidamente, que se vai divertir imenso, não cedi e fiquei a ver a carrinha ir embora com a minha filha a chorar, enquanto eu disfarçava o meu coração partido com o sorriso mais amarelo que conseguia. Ela foi a chorar, chegou lá óptima e está feliz e divertida como eu sabia que ia estar. São os dramas que eu já conheço de cor, a consciência excessiva que tem dela própria e dos outros e questões demasiado existenciais para a idade. É o que ela é, amo a personalidade dela em todas as suas vertentes, birras incluídas, podia era não me matar devagarinho tantas vezes.

 

É que eu sou uma besta, mas sofro dos nervos.

17
Jul17

Meu querido avô

Susana

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Fazias hoje 88 anos.

 

Entro na tua casa e tu ainda estas lá. Estás sempre lá. Sentado no cadeirão de frente para a porta, sorris, eu abraço-te, encho-te de beijos e sento-me ao teu colo. Foi assim tantas vezes.

 

Fazes-me tanta falta, seco as lágrimas na lembrança do teu sorriso, no homem doce e bom que sempre foste, vou guardar a tua memória para sempre.

 

Tenho saudades de tudo o que não viveste. Meu querido avô, deixaste-nos cedo demais. Se existe alguma coisa para lá de tudo isto, tu estás sentado num cadeirão a olhar por nós e a sorrir de orgulho, como sempre.

 

Parabéns, avô!

16
Jul17

Sixteen Going On Seventeen

Susana

 

De hoje a uma semana faço trinta e oito anos, meto por extenso para disfarçar, mas a verdade é que não me sinto nada com a idade que tenho. Não carrego fardos, lamentos e tristezas que me façam perder muito tempo com pena de mim própria. É engraçado que aos vinte e três anos me senti suficientemente adulta para comprar casa, que aos vinte e sete anos me senti velha e sem esperança e que hoje, tão perto dos quarenta anos, me encontro num lugar sereno onde nunca tinha estado. Completamente consciente do caminho que fiz para aqui chegar, perfeitamente segura de quem sou enquanto mulher, mãe, esposa e acima de tudo, absolutamente segura das minhas decisões, sem precisar que pensem por mim, sem precisar de provar nada a ninguém, nem de justificar perante os outros as decisões que tomo para a minha vida, para a nossa vida, para a vida dos nossos filhos. Estou na realidade, numa altura da vida, em que me estou a borrifar para o que os outros pensam, para o que opinam e para a maneira como vivem a sua vida. Que sejam felizes, é o que espero. Eu sou imensamente feliz por ter chegado aqui assim, mãe de dois filhos que me deixam sem respiração, casada com um homem maravilhoso, rodeada de quem me faz apenas bem e segura, tão segura, que por muitas voltas que a vida me faça dar, não me faltará o chão para andar.

14
Jul17

E vocês costumam levar os vossos filhos a bibliotecas?

Susana

Ontem fomos à "nossa" biblioteca. Os miúdos brincam com os puzzles, exploram os livros e aprendem a dar valor a um espaço que é de todos e muito importante na vida dos que não têm a possibilidade de viver numa casa cheia de livros. As bibliotecas são lugares especiais, democráticos, em que qualquer um pode tirar um livro da prateleira e lê-lo.

 

Requisitámos um livro pela primeira vez, para que os miúdos, (mais ela claro), percebam como funciona esta democracia de escolher um livro, levá-lo para casa, estimá-lo e devolvê-lo impecável para que os outros meninos possam também usufruir da sua leitura.

 

E assim se criam, espero, futuros leitores.

 

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12
Jul17

Jardim Zoológico, dos lugares que me fazem feliz.

Susana

Sinto-me sempre uma criança no Jardim Zoológico, acho que uso a desculpa de que os miúdos vão adorar lá ir, quando na verdade quem está em pulgas para voltar a ser criança sou eu. Os miúdos adoram, são doidos por animais e vivem a ida ao Jardim Zoológico numa excitação constante, desde que compramos os bilhetes até ao último salto dos golfinhos. E eu também.

 

Vou lá desde sempre. Com os meus pais, em visitas de estudo com a escola, a festas de aniversário de amigos e se da última vez que lá fui em miúda fiquei bastante desiludida com o estado de degradação em que se encontrava, quando regressei ao Jardim Zoológico há cerca dois anos, fiquei agradavelmente surpreendida com a renovação, com o aspecto cuidado dos animais e das instalações, das imensas sombras e espaços de lazer. Sei que muito ajudou o apadrinhamento dos animais por empresas, mas nota-se no geral um grande esforço de reabilitação.

 

Para uma família, ir ao Jardim Zoológico não é propriamente barato, mas assistir a um jogo de futebol também não e no Jardim Zoológico temos mais variedade de animais e menos palavrões para os miúdos aprenderem. Se o dinheiro dos bilhetes for canalizado para manter o espaço como está e a qualidade de vida dos animais, não me importo mesmo nada de o visitar uma vez por ano e manter esta nossa “tradição”.

 

A nossa visita este ano foi assim, com muitas memórias felizes.

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Se não são Bambies parecem.

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Ou este é que é o Bambie? DSC09607.JPG

Não sejas camelo! DSC09608.JPG

A tartaruga que ganhou a corrida à lebre. DSC09633.JPG

O "fofinho" a saltar.

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Baby zebra.

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- Oh, o tigre está a dormir porquê?

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A visitar a família.

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Mãe e filho. Quando o pai regressou a casa houve zaragata.

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O exibicionista do costume.

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Elefantes mal cheirosos a tomar banho. 

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We love girafas!

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Estás a olhar para onde?

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A rainha da selva.

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Que bela sesta.

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A lady is a lady.

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Okapi, Opapi ou a zebra a quem se acabou a tinta.

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Ele há com cada urso.

 

 Fotografias © Susana Almeida

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