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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

19
Mar17

Andamos a criar cavalos puro-sangue

Susana

Queremos que os nossos filhos andem nas melhores escolas, que tenham aulas de ballet, natação e karaté, que saibam andar de bicicleta, trotinete e patins, que aprendam inglês, francês e alemão, que saibam ler, escrever e fazer contas de somar, que gostem de cinema para adultos, exposições e música clássica e claro, antes de fazerem quatro anos.

 

Desejamos que os nossos filhos sejam os melhores e os miúdos querem ser os melhores. Os reis e as rainhas. Quem quiser que os sirva, que os siga. Estamos a dar aos nossos filhos o melhor que conseguimos. Nunca as crianças estiveram tão bem preparadas como agora para mandar nisto tudo. As melhores escolas, as melhores atividades extracurriculares, os melhores amigos. All that money can buy. Não lhes estamos é a dar educação.

 

Sempre que uma criança fala para um adulto que acabou de conhecer como se fossem iguais, todo o meu sangue ferve. Sempre que uma criança age como a rainha do pedaço, apetece-me dar-lhe um abanão. Sempre que uma criança goza com outra, apetece-me metê-la de castigo virada para a parede.

 

É uma chatice, eu percebo. Investimos muito nos filhos e queremos retorno, queremos que eles correspondam às nossas expectativas, que acabem a corrida em primeiro, no matter what. Se alguma coisa tem de ficar para trás, então que se foda, que seja a educação, a empatia e o respeito pelos outros.

 

Perdoem-me o moralismo, mas, infelizmente para os outros, essas crianças sem educação vão ser adultas sem educação. Eu cruzo-me muitas vezes com elas no portão da escola dos meus filhos e os filhos deles são a cópia exata, de quem passa pelos outros de nariz empinado sem soltar um bom dia. Há quem lhes chame vencedores, do quê não sei, eu chamo-os de mal-educados.

 

Eu posso estar errada, e, no tempo em que os meus filhos vão viver, isto pode até custar-lhes um degrau ou dois na hierarquia social, mas por agora quem manda ainda sou eu e eu prefiro filhos que aos quatro anos ainda não sabem escrever o nome, mas que não esquecem o se faz favor e o obrigado.

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