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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

29
Dez17

Breve inquérito a mães normais (3)

Susana

Esta semana trago-vos a minha amiga Sílvia, que fez o favor de não se preocupar com o limite de caracteres e escreveu o que bem lhe apeteceu. A Sílvia tem dois filhos, mais ou menos da idade dos meus, tem uma filha que é um desafio constante, miúdas de personalidade forte dão cabo de nós e um filho que veio acrescentar loucura à sua vida. Diz-se uma mãe em construção. Desabafamos muitas vezes uma com a outra por mensagem e tentamos ajudar-nos a sobreviver à loucura da maternidade e às ausências dos pais. Lembro-me de uma sugestão que me deixou a rir às gargalhadas, deixar a miúda saltar em cima da cama até que a birra desapareça. Ela garante que resulta. Gosto particularmente da forma descontraída e nada fundamentalista como vê a maternidade e ela é uma mulher do norte carago, as respostas dela só podem ser em bom.

 

Sou a Sílvia, trabalho num BackOffice onde analiso reclamações, tenho uma filha com cinco anos e um filho com um ano e meio.

 

Qual a coisa de que tens mais saudades de fazer desde que és mãe?

Há muitas: dormir; comer uma refeição com calma e em silêncio; sair de casa para fazer algo que não seja trabalhar ou participar num programa infantil; poder curtir uma virose em paz sem ter que estar doente e cuidar de outros doentes; viajar sem ter que me preocupar com as horas de distância ou a possibilidade de as crianças apanharem uma doença exótica... Mas, se tivesse que escolher, “ A” coisa seria: ter momentos em que não tenha absolutamente nada para fazer. Desde que sou mãe acho que isso nunca mais existiu...Tenho a vaga ideia de tais momentos serem uma realidade antes da maternidade... Seriam?

 

 

O que mudou em ti com a maternidade?

Começa por ser uma mudança física. Logo desde a gravidez, começam a ser testados os limites de resistência do nosso corpo e da nossa mente: cansaço, sono, dores nas costas, vírus atrás de vírus... Ainda não sei bem até quando isto dura, mas não vejo grande luz ao fundo do túnel.


Depois há as mudanças mais ao nível das emoções. Deixei de ser só a Sílvia para passar a ser também a mãe de alguém, como se tivesse nascido uma nova faceta de mim que tenho vindo a aprender a conhecer. 


Eu e o meu marido tivemos que encontrar (ainda estamos a construir esse caminho) um novo equilíbrio na nossa relação porque tínhamos encontrado uma harmonia a dois que ficou destabilizada com a chegada de mais dois.

 

Também fiquei a conhecer todo um novo mundo cuja existência desconhecia: o mundo das mães. Fiquei a saber que há blogs, fóruns e grupos de mães onde se discutem temas que vão da mais pequena borbulha às questões mais filosóficas, passando por um sem fim de recomendações. Descobri também que há sempre diversas teorias sobre tudo o que tenha a ver com as crianças: alimentação, sono, birras, transporte, disciplina... Há teorias para tudo e têm sempre um nome estrangeiro. Acho este último detalhe curioso.

 

Acho que também aprendi a gerir um bocadinho melhor o meu tempo porque ele escasseia.

E faço mais planos, tenho mais medos, menos certezas. Acho que me tornei mais indecisa e insegura com a maternidade, talvez seja porque, no fundo, ainda estou muito no início da minha carreira de mãe.

 

 

És a mãe que imaginaste?

Tenho que confessar que eu nunca me imaginei como mãe. Chegou uma altura em que começamos a ter vontade de construir uma família e comecei a imaginar como seria espetacular sermos três em vez de dois. Mas sempre me concentrei nesse ponto de construirmos uma família e nunca imaginei ou refleti sobre qual seria o meu papel nesse novo contexto.

 

E depois a coisa aconteceu e ainda hoje, cinco anos depois, olho para a minha filha e pergunto ao meu marido: como raio é que chegamos aqui?!

 

Com esta pergunta puseste-me a pensar sobre que tipo de mãe sou. Acho que sou a “mãe em progresso”, ainda em construção. Os primeiros pilares estão prontos, as plantas desenhadas no geral, mas ainda não no particular. O resto virá com tempo, trabalho e dedicação.

 


Que conselho darias a alguém que está a pensar em ser mãe?

Um conselho para uma fase específica, os primeiros meses da vida do bebé: cinco ou seis meses em casa com a mãe/ pai é muito pouco. Avaliem bem todas, mas mesmo todas as hipóteses possíveis, façam contas bem rigorosas à vossa vida e tentem que ou a mãe ou o pai consigam ficar mais tempo em casa com o bebé. O bebé merece, a família toda merece!

 

Um conselho para o dia-a-dia: há certas horas, dias, semanas, meses, em que nos parece que estamos a atingir o nosso limite e não aguentamos mais. Mas se pensarmos na vida como um todo, o que é uma hora, ou até um mês? Tentem respirar fundo e pensar: vai passar e vai passar mais rápido do que conseguimos imaginar. Este pensamento não funciona sempre (porque às vezes estamos mesmo cansadas, desesperadas), mas funciona às vezes e isso já uma ajuda.

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