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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

04
Mai17

Morte à culpa!

Susana

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Há mais de quatro anos que não ia à praia sem os meus filhos. Ontem foi o dia e soube-me pela vida. Estive deitada na toalha, a sentir o sol a queimar-me a pele, a praia quase vazia, um silêncio incrível. Não havia vento, não estava demasiado calor. Até consegui ler um livro. Foi perfeito.

 

Ir à praia com os filhos é muito divertido, mas não é para os pais. Chegar à praia quando ainda está aquele friozinho da madrugada, decidir se é melhor levar um ou dois chapéus de sol, não nos esquecermos de reforçar o protetor solar de x em x tempo, não deixar que tirem a porra dos chapéus da cabeça, estarmos em alerta constante para eles não correrem para a água sozinhos e assim que começa a ficar aquele calor capaz de nos tirar a cor de lixivia das pernas, termos de pegar nas toalhas onde não sentámos o rabo, nos baldes e pás e ancinhos e o diabo que eles quiseram levar para a praia e regressar a casa a tempo de aturar várias birras de sono.

 

A verdade é que os filhos sugam a nossa energia sem piedade. No dia a dia, no fim-de-semana, nas férias, seja qual for a atividade que estamos a fazer com eles, desde levá-los à escola a ir com eles à praia. Somos sempre nós e nós, sem a ajuda de avós ou outros familiares por perto, sem empregadas domésticas ou quem nos alivie a carga dos dias. São raras as vezes em que conseguimos escapar um fim-se-semana a dois, ir jantar fora ou ao cinema, estar sozinhos a conversar no sofá ou a ver um filme. São raras as vezes em que estamos sem eles sem ser quando estamos a trabalhar.

 

É assim que é e vivendo com essa realidade, sempre que é possível, sem sentir o mínimo de culpa, eu tiro férias para conseguir descansar, escapo-me um fim-de-semana para estar a dois com o meu marido, vou para a praia sem eles, corro para longe da confusão dos filhos sem pensar duas vezes. É essencial para nós, a bem da nossa sanidade mental, da nossa vida conjugal e da nossa autoestima. Também existimos. Eu não acredito em filhos felizes com pais infelizes. Pais a viver a vida em permanente sacrifício, afastados um do outro, a quem só lhes é permitido servir as necessidades dos filhos vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano.

 

A culpa? Que morra sozinha.

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