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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

03
Abr17

Parentalidade positiva o caraças

Susana

A parentalidade positiva foi uma coisa inventada só para me enervar. E aposto que não foi inventada às 7,30 h da manhã quando estavam a tentar sair de casa com as crianças ou à hora do jantar quando tudo o que querem é que os filhos comam depressa para irem dormir.

 

Um dia destes, quando nos estávamos a despachar de manhã, a minha filha decidiu que queria levar um Nenuco para a escola. Pegou em todos e não escolhia nenhum. Com a calma possível tentámos que escolhesse. Nada feito. De braços cruzados, amuada e de olhos no chão recusava-se a escolher. Acabou por descer as escadas ao colo e foi o caminho todo a gritar: “Eu quero um bebé!”

 

Na mesma manhã já tinha feito uma birra monstruosa porque queria levar os chinelos e não as sandálias, outra porque queria um totó e não um gancho e ainda outra porque queria levar um iogurte de morango e não um de banana.

 

Pausa para respirar fundo.

 

Eu sou mãe de uma miúda de três anos e meio com personalidade forte, que é como diz, sou mãe de uma miúda de três anos e meio teimosa como o raio e quando leio alguém elogiar as maravilhas de berrar baixo ou de um abraço apertado para acalmar birras, hesito entre rir-me à gargalhada ou começar a bater com a cabeça na parede.

 

Eu não tenho muita paciência, é verdade, grito mais do que gostaria e o meu conceito de parentalidade positiva é esperar que a minha filha se mantenha calma enquanto eu me passo da cabeça, mas desconfio seriamente da sanidade mental de quem diz conseguir resolver birras com abraços.

 

De certeza que não envolve gin?

 

Os filhos devem ser tratados de igual para igual, uma palmada é uma humilhação, um castigo é um abuso de poder, um não sem explicações destrói a autoestima. Estou quase a bater com a cabeça na parede.

 

Estes Gustavo Santos da pedagogia vivem da culpa e os pais vivem numa bolha de culpa. Não brincamos o suficiente com os nossos filhos, passamos muitas horas no trabalho, não os inscrevemos em atividades suficientes, deixamos que vejam muita televisão, gritamos mais do que gostaríamos, passamos o tempo a dizer não. Os filhos são teimosos, reviram os olhos quando falamos e nós não fazemos nada deles. Os pais são o problema e a cura é-lhes gentilmente oferecida em forma de workshops.

 

Para mim, que desconfio sempre de curandeiros e não sei berrar baixo, o amor é o mais importante e para amar não são precisas sessões de coaching parental. As crianças precisam de amor, de estabilidade, de segurança e de um berro de vez em quando. E nós, pais, precisamos de sentir menos culpa, muito menos culpa.

 

Texto publicado originalmente no blog Amãezónia.

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