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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

13
Out17

Quando somos mães deixamos de ser donas da nossa vida.

Susana

Quando somos mães deixamos de ser donas da nossa vida. É o lado B da maternidade. Para lá dos sorrisos desdentados, do cheirinho a bebé, das primeiras palavras toscas, dos abracinhos doces e da magia de os ver crescer, existe um lado obscuro.

 

Por trás de cada mãe radiante com os seus pequenos milagres, existe uma mãe esgotada, carregada de sono e com falta de tempo para cuidar dela.

 

Quando engravidamos deixamos de ser donas do nosso corpo, isso é logo evidente desde a primeira consulta no obstetra. Tudo o que importa é que a mãe enquanto recetáculo do ser que carrega na barriga, coma apenas o suficiente para o fazer crescer e não engordar como um rinoceronte, que não ajavarde em açúcar para não ficar diabética, que faça todas as ecografias e exames de rotina e que se habitue desde logo a não dormir.

 

E dormir nunca mais vai ser o mesmo. Eu abri mão desse departamento assim que o meu filho nasceu. O que (não) durmo é da exclusiva responsabilidade do meu benjamim. Os filhos decidem quantas vezes vamos ser acordados durante a noite, se ficamos deitados ao pé deles em camas minúsculas para que parem de chorar antes de acordarem os vizinhos ou se temos direito a ir para a nossa cama dormir as poucas horas que faltam para o despertador tocar.

 

Acordar depois das seis e meia da manhã também passa a ser uma lembrança longínqua. Quando é que isso aconteceu pela última vez? Noutra vida. Os miúdos acordam-nos antes do sol nascer, somos arrastados para a sala, sintonizamos o Canal Panda, que é particularmente irritante àquela hora da manhã, e ficamos a amaldiçoar as escolas que não estão abertas ao fim-de-semana.

 

A conta bancária que um dia foi nossa passa a ser a conta onde está o dinheiro para gastar com os filhos. O dinheiro que antes seria para umas calças novas, para um fim-de-semana romântico, para jantar fora ou imaginem, para poupar, é sugado para os pediatras, para as vacinas, para as fraldas, para a farmácia, para as creches, para a ginástica, para a roupa deles. O que eles precisam (e não precisam) está sempre em primeiro lugar.

 

E a nossa vida profissional? O que dizer dela? Fica completamente à mercê das viroses que eles apanham na escola. Se eles vão para a escola ficam doentes, se eles ficam doentes nós ficamos em casa, se nós ficamos em casa não trabalhamos, se não trabalhamos a empresa diz que não fazemos falta, se não fazemos falta… Se noutras alturas podíamos mandar tudo mais alto que as estrelas, recomeçar e arriscar, com filhos todas as decisões são tomadas em função do que é mais seguro para eles.

 

Com filhos não há planos a dois que resistam. Ao planearmos uma escapadinha de fim-de-semana, um jantar romântico ou uma ida ao cinema, para além de termos que encontrar uma avó ou uma tia com disponibilidade, temos também que baixar as expectativas porque, de um momento para outro, um deles, ou os dois, pode adoecer e lá se vai o romantismo. E o sexo!

 

As férias deixam de ser férias, porque acreditem, os pais não têm férias. Estamos sempre de serviço, prontos a servir, vinte e quatro horas por dia. As férias acabam e nós precisamos de férias sem filhos. E adivinhem? Já não temos mais férias.

 

Sim, não desanimem, os filhos são o melhor do mundo, mas como diz a minha filha, não é disso que eu estou a falar.

 

Texto escrito em parceria com a Up to Kids.

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