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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

16
Mai17

Rotinas no casamento? Quero-as todas, por favor.

Susana

Este fim-de-semana estive sozinha com os miúdos e aproveito para recordar o texto que escrevi em Janeiro, quando o meu marido esteve quinze dias na Índia e eu julguei que enlouquecia.

 

Há quem tenha medo das rotinas, mas o casamento também é feito de rotinas, de pequenos gestos que colam os dias.

 

Estou sozinha com os miúdos há treze dias, faltam dois dias para o meu marido regressar a casa e eu estou quase a cortar os pulsos.

 

Sinto falta de quem mete o café a fazer de manhã enquanto eu tomo banho, sinto falta de quem se senta comigo no sofá a ver as noticias enquanto tomamos o pequeno-almoço, sinto falta dos braços que carregam o mais novo escada abaixo, sinto falta de quem me leva e vai buscar aos barcos todos os dias, sinto falta das mensagens a perguntar se é preciso fazer compras, sinto falta de quem me faz o jantar, sinto falta de quem adormece a mais velha quando eu estou demasiado cansada para birras de sono, sinto falta de quem conversa comigo sobre futebol, politica, livros ou apenas sobre a estupidez dos outros, sinto falta de quem adormece comigo no sofá.

 

Estes dias tenha sido só eu. Os meus braços a carregar mochilas e miúdos escadas abaixo, a levá-los à escola, a fazer compras, a ir buscá-los a correr ao final do dia, a fazer o jantar e a dar banhos a dobrar, tenho sido só eu a contar histórias, a adormecer, a aturar birras de sono e saudades do pai, tudo em esforço, sempre.

 

O amor não são só as rotinas, dizem vocês. Pois não, o amor são também as surpresas, as escapadinhas de fim-de-semana, as idas ao cinema seguidas de uma noite num motel de beira da estrada, são os concertos e os jantares a dois, são as alegrias das conquistas que partilhamos, mas o amor na sua parte mais prática é feito de rotinas, nada sobrevive só de fogo de artificio.

 

E eu sinto falta da nossa cola, das rotinas do nosso casamento.

 

Como dizia a minha filha um destes dias:

- Precisamos do pai em casa para ele me vestir o casaco, enquanto tu vestes o casaco ao mano, para ele me meter a fazer chihi, enquanto tu dás a sopa ao mano. Um faz uma coisa e outro a outra. É assim não é mamã?

 

Texto publicado originalmente no blog Amãezónia.

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