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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

16
Ago18

Stop Body Shaming

Susana

Quando eu tinha vinte e poucos anos pesava sessenta quilos, tinha um longo cabelo liso, não tinha barriga, usava um piercing no umbigo, tinha a confiança de uma anémona e dizia que a única coisa que gostava em mim era das pestanas. 

 
Hoje tenho trinta e nove anos, peso a mais, tenho olheiras, cabelos brancos, sardas como nunca, manchas na testa, uso óculos e aparelho nos dentes, tenho mais mamas do que gostaria e a gravidade não foi minha amiga, tenho estrias, derrames e varizes nas pernas, os meus braços há muito que ganharam flacidez, tenho barriga, um rabo grande, celulite, coxas largas e porra, nunca gostei tanto de mim. 
 
O meu corpo não é perfeito, mas é o meu e aprendi a olhar para mim para lá do corpo. Vejo a mulher, a personalidade, a confiança e a força, o mau feitio e o sentido de humor. Ainda vejo o corpo com todos os seus defeitos, mas vejo-o através dos meus olhos e não através dos olhos dos outros. E aceito-o.
 
A aceitação começa em nós. Se o fizermos dificilmente cedemos ao que os outros esperam de nós, ao que a sociedade diz que é bonito ou perfeito. A sociedade que se foda. 
 
É um lugar comum, mas não adianta ter um pacote do tamanho perfeito, embrulhado com um papel bonito e com um laço espetado, se lá dentro não está merda nenhuma. 
 
#stopbodyshaming
 
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13
Ago18

Parir é parir

Susana

- Os meus filhos nasceram de cesariana. 

- Isso é mais fácil, não é? 

 

- O meu filho nasceu de parto natural e recusei levar epidural. 

- És corajosa!

 

Foda-se, corajosas foram as nossas avós que, quase sempre sem alternativa, pariram em casa. Corajosa foi a minha avó que teve treze filhos e quase todos nasceram em casa, sabe Deus e a sorte como. Nós somos só parvas que, a dada altura, cansadas de ter acesso aos melhores cuidados de saúde, resolvemos entrar no campeonato do sofrimento e do sacrifício, como se no final do dia isso fizesse de nós melhores mães. E adivinhem? Não faz. Impressionante, não é? 

 

Não sei em que momento as mães se deixaram levar para dentro deste campeonato, mas não foi numa hora muito inteligente. Uma mulher engravida, se tudo correr bem a criança passa nove meses dentro da nossa barriga e quando chega a hora, que se quer pequenina, a única coisa que realmente importa é que a criança nasça da forma mais segura possível para ela e para a mãe. Não me parece muito difícil de entender, não me parece minimamente razoável que disto se faça um pódio e matéria prima para se foder a cabeça umas às outras. 

 

Há muitas maneiras de parir: parto natural, com ou sem epidural, de cesariana, dentro de água, em casa e há quem nasça em ambulâncias e até aviões. Há partos mais fáceis, partos mais difíceis, há partos com muito ou pouco sofrimento e nenhum confere às mulheres uma medalha de bom comportamento. Há quem chore, quem grite, quem implore pela epidural, quem não tenha tempo para a levar e quem a recuse, há quem passe vinte e quatro horas em trabalho de parto, há quem chegue ao hospital com a criança prestes a nascer, há quem tenha o parto que planeou e há quem se veja a caminho de uma cesariana de emergência. 

 

Chamamos corajosa a quem opta pela dor e chamamos maluco a alguém que pede para lhe arrancarem um dente sem anestesia. A mim nada me parece mais estúpido que recusar aquilo que a ciência nos trouxe, menos sofrimento, melhores cuidados de saúde e mais segurança a troco de uma superioridade moral que interessa muito pouco. Mas, cada uma faz as suas escolhas, segue satisfeita consigo e, se não foder a cabeça a ninguém, continuamos amigas como antes.

 

Nenhuma escolha relacionada com o parto faz de umas corajosas e de outras fracas, porque a verdade é que cada uma fez aquilo que foi necessário para os ter ali. Naquele momento mágico em que nascemos outra vez e começa esta louca viagem pela maternidade, não precisamos que nos fodam a cabeça com campeonatos, pódios e medalhas. A única medalha que nos deve realmente importar está nos nossos braços. 

 

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06
Jul18

Férias com filhos: expectativa vs realidade

Susana

Como eu queria (e merecia, porra) que fossem as minhas férias

 

Não ter hora para acordar, uma praia paradisíaca com areia branca e água quente, o sol a queimar-me a pele, almoços com vista para o mar, uma pulseira de livre-trânsito para o bar no pulso e um cubano a servir-me daiquiris, massagens relaxantes no spa do hotel, jantares demorados, mergulhos na piscina fora de horas e sexo sem hora marcada, muito sexo.

 

Como vão ser as minhas férias

 

Os miúdos vão acordar antes das sete da manhã, eu e o meu marido vamos ver quem finge durante mais tempo que não os está a ouvir, não evitando o inevitável, levantamo-nos da cama, tomamos o pequeno-almoço, vestimos os fatos de banho, metemos protetor solar, agarramos em dois chapéus-de-sol e chegamos à praia quando ainda está aquele friozinho da madrugada, estendemos as toalhas, despimos os miúdos que vão gritar que está frio (eu não tinha reparado) enfiamos os chapéus naquelas cabeças e gritamos dezenas de vezes para que não os tirem, vamos estar em alerta constante para eles não correrem para a água sozinhos e para não falarem com desconhecidos, não nos podemos esquecer de reforçar o protetor solar enquanto os miúdos esperneiam que querem ir encher outra vez o balde com água e assim que começa a ficar aquele calor capaz de nos tirar a cor de lixívia das pernas, temos que pegar nas toalhas onde não sentámos o rabo, nos baldes e pás e ancinhos e o diabo que eles quiseram levar para a praia e regressar a casa a tempo de aturar várias birras de sono. Um faz o almoço, o outro dá os banhos, pomos a mesa, almoçamos com as birras a atingir o auge do cansaço e tiramos à sorte quem se vai deitar com eles a dormir a sesta até chegar a hora em que o sol já não queima para irmos para a praia outra vez, chegada a hora lanchamos, vestimos os fatos de banho, metemos protetor solar sabe Deus porquê, que a esta hora o sol já nem cócegas faz, pegamos num chapéu-de-sol e lá vamos nós, chegamos à praia cheia de miúdos a correr por todo o lado, encontramos por milagre um espaço para estender as toalhas, despimos os miúdos, enfiamos os chapéus naquelas cabeças e gritamos dezenas de vezes para que não os tirem (onde é que eu já li isto?), vamos estar em alerta constante para eles não correrem para a água sozinhos e para não falarem com desconhecidos, vamos estar de rabo para o ar a fazer piscinas à beira mar e com sorte damos um mergulho ou dois, quando até estamos a gostar de estar ali os miúdos vão estar a arrastar-se de sono e pegamos nas toalhas onde não nos deitámos a ler um livro, nas bolas, baldes, conchas e quilos de areia e regressamos a casa para mais um dose de banhos, birras e o Deus nos ajude do costume, jantamos, adormecemos os miúdos e com sorte vamos sentar-nos no terraço a beber uma bebida qualquer que comprámos no supermercado porque não, não temos um cubano a servir-nos daiquiris, enquanto deitamos conversa fora até admitirmos que estamos exaustos e irmos dormir sem termos sexo.

 

Faltam quinze dias para as minhas férias. Sim, estou a contar? Porquê? Porque sou parva, os pais não têm férias. A única diferença entre as férias e os dias normais é que aturamos os miúdos num lugar diferente.

 

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02
Jul18

A mãe está cansada

Susana

A mãe está cansada. As mães estão sempre cansadas. É normal, faz parte, dizem-nos. Ignora-se o cansaço da mãe, porque é normal, faz parte. É preciso aguentar, já se sabe como é, um dia melhora. Até que a mãe não aguenta, não melhora e não percebem porquê. As mães estão sempre cansadas, é normal, faz parte, porque raio ela não aguentou?

 
Um destes dias, numa consulta com o meu filho, conversava com o meu médico de família sobre o cansaço, o meu cansaço. Tem sido um ano filho da mãe. O meu médico sabe, vemo-nos com muita frequência, infelizmente. 
 
- Já sabe mãe, faz parte. 
 
Eu que já não sou a Susana, sou a mãe, deveria saber que faz parte. O cansaço, a exaustão, o sono constante, os braços que carregam colos e as costas que teimam em doer, o cérebro que não quer funcionar e o stress acumulado faz parte. Embrulha o pacote e aceita como um presente da vida. Filhos e cansaço de mãos dadas. 
 
Já tive várias conversas destas com médicos, amigas, com a minha mãe, com desconhecidas e o cansaço faz sempre parte. Ponto final nesta conversa. 
 
As mães trabalham fora de casa e dentro de casa, regra geral muito mais horas que os homens, as mães guardam para si a tarefa de cuidar dos filhos quando estão doentes, da lida da casa que nunca acaba, da roupa que parece procriar no cesto da roupa suja, das compras que alimentam a família, que acodem a todos os gritos pela "Mãe!", consomem-se em mil e uma birras por mil um motivos, são saco de pancada dos filhos e as mães não podem dizer um ai, não podem dizer que estão cansadas, esgotadas, porque faz parte.
 
Calem-se! 
 
As mães sabem que faz parte, mas é imperativo que em vez do óbvio nos digam o que podem fazer para nos ajudar, do que precisamos, que nos digam para não nos esquecermos de nós, que cinco minutos sentadas no sofá não conta como descanso, que precisamos de existir e de vez em quando mandar tudo mais alto que as estrelas e gritar:
 
- Eu não sou só a mãe, o meu nome é Susana.
 
(Os pais também estão cansados, o meu marido está tão exausto como eu, somos uma equipa e nem consigo imaginar o cansaço de quem não funciona em equipa, mas como em tudo, falo por mim, pelas mães, os pais que comecem a escrever e a falar sobre isto, gritem ao mundo que também fazem parte desta loucura de ter filhos.)
 
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02
Jul18

Não, eu não educo os meus filhos para o feminismo.

Susana

“- Mãe, estás a fazer o jantar porquê? É o pai que costuma fazer o jantar.”

 

Quando alguém diz que os rapazes devem ser educados para o feminismo eu hesito entre bater com a cabeça na parede ou respirar fundo e perguntar como é que funcionam as coisas lá em casa.

 

Eu explico, sou mãe de um rapaz e de uma rapariga e ambos recebem a mesma educação e o mesmo exemplo. E o exemplo começa pela igualdade e o respeito entre o pai e a mãe. Em nossa casa o aspirador e o pano do pó não são propriedade da mãe, o pai lava a loiça, faz o jantar, vai às compras, leva os miúdos à escola e ao médico e trabalha, como a mãe. Não existem tarefas da mãe e tarefas do pai. Não existe a figura autoritária do pai e a figura permissiva da mãe. Não existem ameaças físicas nem psicológicas, não existe violência física nem verbal. Nunca é demais lembrar que filhos que crescem em ambientes abusivos têm grande probabilidade de se tornarem adultos agressores.

 

As crianças são esponjas e o respeito pelos outros e por si mesmas ensina-se pelo exemplo, por terem uma mãe que trabalha, que é independente, que se respeita e é respeitada e por terem um pai que se rege pelos mesmos princípios.

 

Recuso-me a educar o meu filho como futuro agressor e a minha filha como futura vítima.

 

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros. E estes não são princípios exclusivos do feminismo, são pilares básicos para uma sã convivência em sociedade, sem discriminações ou abusos de qualquer género.

 

Hoje são crianças de três e cinco anos, cujas questões nos aparecem na medida da idade que têm. Outras irão surgir com o tempo, como o valor do seu corpo, a não discriminação das mulheres no local de trabalho, a violência, o assédio, mas se as bases estiverem lá tenho esperança de que se irão tornar em adultos responsáveis e respeitadores dos outros. E a esperança também entra nestas contas. Os pais fazem a sua parte, esforçam-se para serem um bom exemplo, com ações e não apenas com palavras, e o resultado será uma mistura desse exemplo, da personalidade dos filhos e de uma boa dose de sorte.

 

Por isso, não, não educo os meus filhos para o feminismo. Educo-os para o humanismo.

 

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21
Jun18

A maternidade e um dos seus maiores flagelos

Susana

Um dos grandes flagelos da maternidade são as comparações. Todas o fazemos. As mães, em algum momento, já compararam os filhos com os filhos das amigas, com os filhos das desconhecidas e até entre irmãos. Eu já o fiz e enchi-me de bofetadas.

 

O meu filho começou a falar tarde, seja isso o que for, ao contrário da irmã que começou cedo a ser uma tagarela, ele dizia poucas palavras, as que dizia era mal pronunciadas e não fazia frases simples como “Eu quero água.” Quando dei por mim estava a verbalizar que a irmã com a mesma idade já falava muito mais, já construía frases e já espetava o dedo para ralhar comigo e com o pai. Porque é que o miúdo não fala?

 

Pausa para uma bofetada. 

 

Respirei fundo. Olhei para um miúdo que compreendia tudo o que lhe era dito e voltei calmamente ao meu mantra de que cada criança tem o seu ritmo. Para tudo. Para começar a gatinhar, para começar a andar, para falar, para deixar as fraldas. Porra, até eu que dizia que o meu filho ia usar fraldas até à faculdade sei que isso não ia acontecer, no máximo usaria fraldas até ao secundário. 

 

As comparações são normais, a competição entre mães é que já não é normal e sinal de uma patologia grave. Pouco importa se os miúdos começaram a andar com doze ou com dezoito meses, esta merda não é uma corrida de bebés para ver quem chega em primeiro. Os meus filhos começaram os dois a andar tarde, que é como quem diz depois dos doze meses, ela aos quinze e ele aos dezassete, ambos tinham um perfeito gatinhar de rabo que nos fazia rir à gargalhada e uma preguiça monumental para se meterem de pé e são incontáveis as vezes que me perguntaram:

 

- Então, já anda?

 

Foda-se, sim, já anda ao colo, respondi eu milhares de vezes. O que raio importa? Hoje os dois andam, correm, saltam. O que interessa a esta distância com que meses começaram a andar? Os miúdos que começam a andar cedo andam melhor? Não, porra, todos andam, ponto. Nós fodemos a cabeça uns aos outros com merdas que não lembram a ninguém.

 

E os dentes? Com que idade nasceu o primeiro dente dos meus filhos? Não sei, juro. Acho que a minha filha teve o primeiro dente aos sete meses e o meu filho não faço ideia, sim, eu sou essa mãe que não aponta nada, não tem um diário dos miúdos, nem o raio que o valha, mas estou a olhar para os dois agora e a ver duas bocas cheias de dentes. No final é o que importa certo?  Já perceberam o que eu quero dizer. Comparamos, competimos, lixamos a cabeça uns aos outros, quando os miúdos estão no ritmo deles, bem se cagando para as nossas questões menores. Os miúdos não querem saber com quantos meses lhes nasceu o primeiro dente, eles vão mastigar tão bem como os outros e morder os outros miúdos quando for caso disso, nem eles querem saber, nem ninguém quer saber, na verdade, ninguém quer saber por saber.

 

Só vocês e o pai e os avós e os tios e os primos, na melhor das hipóteses, todos os outros, as amigas, as colegas de trabalho, as vizinhas, aquela mãe no centro de saúde, só querem saber para verem se os filhos deles estão em primeiro lugar no pódio do concurso do bebé a quem nasceu os dentes mais cedo, arrecadar a medalha e ir para casa para a pendurar na parede ao lado do diploma da mãe perfeita.

 

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19
Jun18

O coração da mãe

Susana

O coração da mãe é o músculo mais resistente. O coração da mãe alarga, filho a filho, para deixar entrar cada vez mais amor. O coração da mãe parte-se e cola-se à velocidade das tristezas e alegrias dos filhos. O coração da mãe mirra como uma passa quando se enche de preocupações. O coração da mãe fica em fanicos quando os filhos lhes esgotam a paciência. O coração da mãe cavalga torto quando o cansaço fala mais alto. O coração da mãe palpita de emoção, cora quando sofre por antecipação, zanga-se quando não o deixam descansar e acelera quando o instinto lhe diz o caminho. O coração da mãe é o músculo mais resistente, forte, combativo, vermelho sangue, bate por ela e pelos filhos, bate dentro do peito, fora do peito, bate na boca e em todos os lugares comuns. O coração da mãe chora baixinho, ri-se baixinho. O coração da mãe, não há outro igual.

 

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06
Jun18

Podem chamar-me princesa que eu deixo

Susana

Olho para a polémica em torno do anúncio da DGS de que as princesas não fumam e não sei se ria ou se chore, por um lado dá-me vontade de rir que uma mulher se incomode ou que se sinta diminuída por lhe chamarem princesa, é quase o mesmo que dizer que é menos respeitável por usar minissaia ou pintar os lábios com bâton vermelho, por outro dá-me vontade de chorar por não ver as mesmas mulheres se indignarem com questões realmente discriminatórias.

 

Pensem comigo, ganhamos menos que os homens, não progredimos na carreira de igual forma, somos discriminadas quando somos mães, gastamos mais horas que os homens nas tarefas domésticas e a cuidar dos filhos, os números da violência doméstica mostram-nos uma guerra civil, somos discriminadas nos cuidados de saúde, pensem em como a nossa dor é encarada em comparação à dor dos homens, somos vítimas de assédio sexual e moral no local de trabalho e a indignação passa por um anúncio, que por sinal se dirige a um grupo onde o consumo de tabaco continua a aumentar, porque se atreve a chamar a uma criança de princesa?

 

Como se uma mulher seja hoje condicionada por ter sido chamada de princesa, ter vestido saias, brincado com loiças, bonecas, usado folhos, laços no cabelo, por gostar de cor-de-rosa, dos saltos altos da mãe ou de brincos e maquilhagem. Que canseira.

 

Existem várias coisas que nos são mostradas neste anúncio, umas bem e outras não tão bem conseguidas: é um anúncio feito para mulheres, sobre a nossa saúde e não sobre pensos higiénicos, pensaram em nós para variar, as mulheres fumadoras continuam a aumentar e é preciso falar sobre isso, fumar em frente aos filhos é um mau exemplo e para explicar isso o pai também podia estar a fumar e explora a culpa materna e as mães são peritas em sentir culpa, não precisavam desta ajuda extra, mas se os meios justificarem os fins, por mim é passar o anúncio a toda a hora e falar sobre o assunto que realmente interessa: o tabagismo.

 

Mas, escolheu-se olhar para este anúncio e discutir questões de linguagem, optou-se pelo politicamente correto e pelo policiamento do que pode ou não ser dito, do que discrimina ou não uma mulher, pela indignação capaz de lápis azul na mão e pela queixa à CIG, que obviamente não deve ter mais nada que fazer e não se falou de saúde ou de tabagismo. Optou-se por ridicularizar o feminismo e tanto que é necessário um feminismo a sério na nossa vida.

 

Quanto a mim, podem chamar-me princesa que eu deixo, continuem a preocupar-se com a minha saúde e já agora façam com que me paguem um ordenado equivalente ao dos homens.

 

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05
Jun18

Estou farta de cocó na fralda!

Susana

Vou escrever sobre cocó, quem não aguentar o cheiro é melhor voltar mais tarde, não demora muito.

 

Agora nós, digam a verdade, a nossa vida não seria mais fácil se os miúdos viessem com o programa de desfralde incluído? Temos tanta coisa com que lidar, birras, viroses, respostas tortas, crises existenciais, noites sem dormir, paciência rebentada e ainda temos que limpar xixi e cocó do chão enquanto não aprendem a ir à sanita. O mundo não é justo para as mães.

 

Quando o meu filho nasceu a minha filha tinha dois anos e dois meses, eu estava de licença de maternidade e o que havia de melhor para fazer com um recém-nascido nos braços do que tirar as fraldas à miúda? Imensa coisa que não envolvia uma esfregona, mas felizmente, tirando uns xixis e cocós no chão precisamente quando eu estava a amamentar, a coisa deu-se e numa semana a miúda já não usava fraldas durante o dia e passado um mês de fralda seca à noite deixou as fraldas de vez.

 

Demorou apenas uma semana, apesar de a meio da semana eu pensar que ia ficar maluca, na escola não fazia xixi nas cuecas e em casa até fazia cocó no chão. Nenhuma recompensa resultava, nem autocolantes, nem cuecas bonitas, nem palmas, nem abraços, nem o “viva és a maior", a coisa só se deu quando após cada cocó na sanita eu a deixava fazer um desenho nos azulejos da casa de banho. Não sei como me lembrei disto, mas resultou e antes limpar azulejos que cocó.

 

O meu filho já fez os três anos e eu já fiz três tentativas de lhe tirar as fraldas, mas o raio do miúdo não está a colaborar. Nem em casa, nem na escola, o que me faz sentir um pouco menos naba do desfralde. Não pede para ir à sanita, se perguntamos se quer ir diz que não, vai para um canto quando quer fazer cocó em paz, não diz quando tem a fralda suja, chega a dizer que não tem cocó quando o cheiro nos diz claramente que tem e detesta mudar a fralda, esperneia, vira-se, chora, parece que lhe estamos a tirar o bem mais precioso.

 

Estou tão farta de cocó na fralda, que tentei dar uma de parentalidade positiva aplicada ao cocó e conversei com ele, mostrei os benefícios de deixar as fraldas, dei o exemplo da irmã, comprei cuecas da Patrulha Pata e quando tudo falhou tentei suborná-lo com uma bicicleta e a verdade é que continuo a mudar fraldas cheias de cocó mal cheiroso.

 

Pausa para choramingar.

 

Esta conversa toda porque vamos dar início à quarta tentativa de desfraldada - quarta tentativa - e eu acendi uma vela aos deuses da paciência que eu já estou por tudo, até deixá-lo usar fraldas até à faculdade.

 

Desejem-me sorte e assim.

 

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28
Mai18

Filho surpresa

Susana

A vida chegou ao pé de mim e disse-me:

 

- Parabéns, está grávida!

 

Eu esperneei, raios partam a vida, eu não planeei nada disso, ela que fosse lá dar voltas para outro lado que o meu caminho era outro. A vida não foi em cantigas, agarrou-me com força e garantiu-me que eu não mandava nela.

 

Há três anos o meu filho nasceu e com ele eu nasci mãe outra vez.

 

Nasci mãe de um filho surpresa, de um filho que me tortura com sono, de um filho a vida é que sabe, de um filho não dou beijos, de um filho espalha brinquedos pelo chão, de um filho como é que é possível acordar tão bem disposto, de um filho medricas como a mãe, de um filho sorriso que afasta o sono, de um filho irmão tão amado, de um filho quer bolachas, de um filho menino do papá, de um filho canta e dança, de um filho sol, de um filho que testa os limites do meu piloto automático, de um filho mamãzinha linda do meu coração.

 

Têm sido três anos de uma viagem alucinante, o tempo passa a correr e eu não tenho a certeza de ter dado conta de tudo o que vivi, a verdade é que nunca me senti tão cansada, nunca tive tanto sono e nunca fui tão feliz.

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