Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

19
Nov18

Os filhos são o melhor do mundo

Susana

Os filhos são o melhor do mundo. E às vezes o melhor do mundo também é o silêncio, é a televisão desligada, é o mundo parado. É dormir uma noite inteira sem tosses como banda sonora ou com gritos que nos chamam como se o mundo estivesse a acabar, é fechar os olhos no sofá e deixar-me ficar até ao outro dia de manhã. É não estar preocupada se tenho iogurtes no frigorífico, se as bolachas preferidas acabaram ou o que vou fazer para o jantar. Às vezes o melhor do mundo é ir à praia sozinha, é ler um livro, é sair com o meu marido num impulso, é conversarmos até de madrugada, é rir, gemer e gritar sem medo de os acordar. Às vezes o melhor do mundo é não aturar birras, crises existenciais, amuos da escola, respostas tortas e nãos repetidos até à exaustão. É não limpar rabos ou narizes ranhosos ou acordar a meio da noite para medir a febre, é não ter banhos para dar, cabelos encaracolados para secar, pijamas para vestir, é acordar em cima da hora, tomar banho a correr, vestir-me e sair de casa sem ter que acordar duas horas antes. Às vezes o melhor do mundo é não ter uma agenda cheia da vida social dos miúdos, é não ter de ir ao parque ou sentar-me no chão a brincar, é não ter trabalhos manuais da escola para fazer, reuniões de pais e obrigações sociais. É não ter rotinas, hora para jantar, para dormir, para acordar. Às vezes o melhor do mundo é existir para além dos filhos.

 

Dizer isto não coloca em causa o amor pelos meus filhos, não me faz pedir desejos para trocar a vida de hoje pela vida de ontem, a de hoje é infinitamente melhor, mais rica, mais cansativa e com mais gritos, posso dizê-lo sem medo do julgamento dos outros, sem medo que não o compreendam, porque a verdade é que cada um de nós, no seu íntimo, sozinho com os seus pensamentos, já pensou algo parecido. E não faz mal, está tudo bem. Quem não o compreender que se foda.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

14
Nov18

Nunca foi tão fácil ser mãe. Nunca foi tão difícil ser mãe.

Susana
Penso na minha avó materna, mãe de treze filhos. Fecho os olhos e vejo-a pequenina e franzina, mal consigo imaginar como aguentou estar grávida tantas vezes, foda-se, como é que suportou enjoos, dores nas costas e o peso da barriga a crescer doze vezes, (esteve grávida de gémeos), como passou por tantas gravidezes sem ecografias morfológicas, emocionais ou em 3D, sem análises, sem exames de rotina, sem ácido fólico ou vitaminas, sem saber o sexo do bebé, sem fazer um curso de preparação para o parto, sem ler livros, sem conhecer teorias ou correntes pedagógicas, mal consigo imaginar como aguentou lavar tantas fraldas cagadas no tanque, como manteve os filhos quietos sem televisão, tablets ou YouTube, como conseguiu saber ser mãe sem fazer workshops, sem grupos de mães a quem recorrer nas horas de aflição, sem pediatras, terapeutas do sono ou facilitadores parentais, sem amigas a quem telefonar, sem telemóvel ou internet, sem WhatsApp ou o cabrão do Google. Foda-se, não consigo imaginar.

 

Penso em nós, mães de um filho ou dois, três na loucura. Vejo-nos com acesso aos melhores cuidados de saúde, a saber ler e escrever, com a informação à distância de um telemóvel com acesso à internet e vejo-nos em pânico desde que o cabrão do teste de gravidez deu positivo. Vivemos embrulhadas em escolhas, em decisões, parecemos galinhas sem cabeça a correr de um lado para o outro, baralhadas com tanta informação, com os estudos, com as teorias e correntes pedagógicas e o caralho, vejo-nos a fugir dos olhares inquisidores dos outros, a olhar por cima do ombro quando damos uma bolacha aos miúdos, cheias de sorrisos amarelos e a engolir as opiniões dos outros como se fossem sapos. Vejo-nos a sermos vítimas de bullying nos grupos de mães e a comermos a merda que nos enfiam pela boca como se fossemos burras.

 

Vivemos na urgência de sermos as mães perfeitas. Foda-se, vamos respirar fundo e parar com esta merda, sim?

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.
17
Out18

Não se atiram bolas à cabeça dos filhos dos outros

Susana

Sabem aquelas mães que têm vontade de atirar uma bola à cabeça dos miúdos que passam à frente dos filhos no escorrega e nos baloiços? Ou de dar um empurrão às miúdas irritantes? Ou até dar um berro aos miúdos que se metem com os mais novos? Eu sou dessas mães.

 

Fico a ferver, com fumo a sair das orelhas e a pensar se me posso esconder atrás de um arbusto e atirar uma bola em cheio à cabeça dos miúdos parvos.

 

- Quem foi? Não se faz, coitadinho do parvinho.

 

Não posso, não é? Tenho filhos para criar, não se atira bolas aos filhos dos outros e bla bla bla, por isso a minha opção foi ensinar a minha filha a empurrar.

 

Literalmente.

 

Parece que agora os miúdos levam o dia a empurrar-se uns aos outros e a serem parvos uns para os outros e a minha filha não sabe jogar esse jogo. No meu tempo também devia ser assim, mas eu sou antiga, já foi há muito tempo e agora eu sou a mãe, a mãe que sente as dores dos filhos. E por isso resolvi ensinar-lhe as regras do jogo do empurra.

 

A regra número um é defender-se primeiro e queixar-se depois. Todos sabemos que os queixinhas estão fodidos, passam facilmente a saco de pancada. Então, primeiro dá com o pé que estiver mais à mão e depois pode queixar-se.

 

A regra número dois é defender-se primeiro e queixar-se depois. Não tenho mais regras para este jogo, é difícil explicar a uma miúda de cinco anos que na vida vai encontrar muita gente que a vai tentar empurrar e que o melhor é mesmo aprender a defender-se.

 

Ensinei-a a defender-se e não a atacar, expliquei-lhe o valor das palavras, que às vezes dizer que não somos amigas deixa de ser verdade no minuto a seguir, que podemos perdoar e não dar importância a quem não nos faz bem e depois peguei numa almofada e disse-lhe para empurrar, com força. Ela riu-se, empurrou com força, prometeu que se ia defender melhor e eu abracei-a.

 

Sim, eu sou dessas mães, nem pensem em foder-me a cabeça por isso.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

09
Out18

Não importa quando foi

Susana

Há quem diga que se ama um filho assim que sabemos que estamos grávidas, eu digo que não, que é mentira, o que amamos é a ideia abstrata de um filho, a ideia de sermos mães.

 

Eu não amei os meus filhos ao primeiro olhar, nem ao segundo, nem ao terceiro, nem sei precisar o momento exato em que os comecei a amar.

 

Ao primeiro olhar, acabados de sair da minha barriga, vi-os roxos, com restos de mim e com um cordão umbilical ainda por cortar, perguntei-me se aquilo que me parecia um filme estava mesmo a acontecer, fechei os olhos e voltei a deitar a cabeça. Ao segundo olhar, depois de os ouvir chorar ao longe, trouxeram-nos até mim, enquanto os médicos costuravam o corpo que já lhes tinha servido de casa, beijei-lhes a testa e pedi que os fossem mostrar ao pai. Ao terceiro olhar, no recobro, deitaram-nos ao meu lado e eu percebi que estava presa dentro de um filme e ninguém me tinha dado o argumento. 

 

Em nenhum destes olhares senti amor. Senti estranheza e medo. Os meus filhos nasceram e com eles nasceu a mãe e a mãe ama. Mas, amar? Amar como se acabei de os conhecer? E logo ali senti-me culpada por não sentir o que diziam que devia sentir, senti-me esmagada pelo peso das expectativas dos outros. Peguei neles, cheirei-lhes os cabelos vezes sem conta, beijei-lhes as mãos pequeninas e a testa, aconcheguei-os no meu peito, decorei-lhes as linhas do rosto e nada. Estranheza e medo. Conversei com eles, talvez o amor de mãe fosse assim, mais medo que coração acelerado, mais culpa que amor, pedi-lhe desculpa, alimentei-os, dei-lhes banho, vesti-os e mudei-lhes as fraldas, cantei-lhes canções de embalar, adormeci-os no meu colo e num dia qualquer, no meio da confusão dos dias que mudaram para sempre, houve um momento em que o meu coração bateu mais forte e rebentou-me o peito. No meu peito ficou um buraco e o meu coração ficou exposto. À mostra. E assim ficará, como naquele lugar-comum, que diz que os filhos são um coração a bater fora do peito.

 

Não importa quando foi. 

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

08
Out18

Nesta coisa da maternidade existem temas tabu

Susana

Nesta coisa da maternidade existem temas tabu, uns causam reações capazes de exterminar a humanidade, outros a fúria nas caixas de comentários e outros o ódio nos grupos de mães desta vida. Eu pessoalmente gosto de todos, fazer abanar cabeças em sinal de reprovação é sinal de que o tema precisa de ser falado. Deixo aqui alguns.

 

- Amamentação

Não se pode falar, pura e simplesmente não se pode falar sobre mamas, nada, zero, nicles. A estabilidade da paz mundial depende deste tema estar fechado a sete chaves, garanto que há mães que estão na posse dos códigos nucleares e prontas a largar as bombas em cima das nossas cabeças se alguém disser: Foda-se, detestei amamentar! Caralho, já disse, desculpem, se o mundo acabar a culpa foi minha, gostei muito de vos conhecer.

 

- Gravidez

É um estado de graça, não é doença, por isso aproveitem bem estes nove meses com dores nas costas e vontade de ir à casa de banho de cinco em cinco minutos. E trabalhem até rebentarem as águas que isso é que de mulher. Fraquinhas, pá.

 

- Pós-parto

Qual é o problema? Já têm os miúdos nos braços, há lá bênção maior? Caladinhas, mas é.

 

- Licença de maternidade

Longas sestas e mama de fora de duas em duas horas, lavar os dentes quando o pai regressa do trabalho, tomar banho de dois em dois dias, passar os dias sozinha com um bebé que não fala, não ri, só chora, mama e caga fraldas. E depois? Até parece que não estão de férias.

 

- Palmadas, gritos e a parentalidade inconsciente

Outra vez a estabilidade da paz mundial em risco. Vou dizer baixinho, uma palmada no momento certo faz milagres. Ainda estão aí ou já foram a correr ligar para a CPCJ? Só podemos falar sobre este assunto se for para dizer “Olá, o meu nome e Susana, eu costumava gritar com os meus filhos, mas agora converti-me à seita da parentalidade positiva e resolvo tudo com abraços e doses excessivas de bebidas brancas.” #sóquenão

 

- Existir para além dos filhos

Quem deixa os filhos com os avós para ir jantar fora, ao cinema, passar um fim-de-semana fechada com o marido num quarto de hotel ou vai deixar os miúdos à escola e volta para casa para dormir é uma cabra fria e sem coração. Onde é que já se viu isto de existir para além dos filhos? Ser mãe é a melhor coisa do mundo e se queriam existir não tivessem filhos.

 

- Dizer que os miúdos às vezes são parvos

São lá parvos, nós é que os educamos mal e se nós os educamos mal os parvos somos nós e se os parvos somos nós então quem tem que ir pela janela somos nós. Que horror dizer uma coisa destas, os miúdos são o melhor do mundo, até quando fazem birras, porque querem ir descalços para a escola.

 

Resumindo e baralhando, tudo é tabu, se queremos palmas, só podemos dizer que ser mãe é o melhor do mundo, uma bênção, que os nossos miúdos são incríveis, génios, os mais brilhantes, os mais bonitos, se queremos palmas, temos que inventar, mentir e dizer ao mundo que esta coisa maravilhosa da maternidade não é uma montanha russa cheia de altos e baixos, com momentos perfeitos em que não sabemos como tivemos a sorte incrível de ganhar esta lotaria e outros, tantos outros, sombrios e fodidos em que batemos literalmente com a cabeça na parede.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

01
Out18

O que é que as mães mais desejam?

Susana
a) Dormir a noite inteira sem interrupções; 

b) Uma semana de férias sem os miúdos numa praia paradisíaca e com livre-trânsito para o bar; 

c) Que a roupa apareça milagrosamente lavada, passada e guardada nas gavetas; 

d) Comer uma refeição sem que a meio seja preciso ir limpar o rabo aos miúdos; 

e) Não gritar durante dez minutos;

 f) Não acordar às seis da manhã ao fim-de-semana;

 g) Tomar um banho demorado com direito a meter amaciador no cabelo; 

h) Comer um chocolate sem partilhar com os miúdos; 

i) Jantar fora com as amigas sem sentir sono às nove da noite; 

j) Sair de casa sem parecer que vai acampar; 

k) Não ouvir o Panda e os Caricas às seis da manhã; 

l) Ter a barriga lisa;

 m) Uma massagem nas costas; 

n) Comprar uns sapatos sem pensar que os miúdos precisam de uns ténis novos; 

o) Que os miúdos digam boa noite e vão para a cama sozinhos; 

p) Ver um filme sem adormecer; 

q) Não ter migalhas no chão; 

r) Que digam, para variar, que os miúdos são a cara dela; 

s) Não fazer o jantar;

 t) Que as reuniões de pais durem dez minutos;

 u) Silêncio;

 v) Que os miúdos não apanhem piolhos;

 w) Não ter nada para fazer;

 x) Ir à casa de banho sozinha;

 y) Sexo escaldante sem medo de acordar os miúdos;

 z) Que as outras pessoas metam as opiniões no buraco mais escuro que encontrarem.

 

 Merda, esta é difícil!

  

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.
28
Set18

Dez coisas que não devem dizer a uma mãe:

Susana

1 - Tem calma!

Calma? Mas tenho calma porquê? Achas que eu não tenho motivos para me enervar? Até tu já me estás a enervar.

 

2 - É só uma fase.

E depois desta fase vem outra fase e depois outra e logo a seguir começa outra fase. Obrigada, és um génio!

 

3 - Um dia vais ter saudades.

Vou e de levar com um pau nas costas também.

 

4 - Não queres ter mais filhos porquê?

Porque não és tu que os vais parir.

 

5 - Isso é mimo.

E isso é estupidez, quando é que tratas disso?

 

6 - Tu é que os habituaste mal.

Que alívio, pensava que tinha sido a vizinha, fico muito mais descansada.

 

7 - Aproveita bem todos os momentos.

É o que eu penso quando acordo às três da manhã porque o meu filho quer fazer xixi: “Foda-se, deixa-me lá aproveitar este momento.”

 

8 - Se fosse eu fazia… (inserir opinião)

Então vai lá fazer isso com os teus filhos e não me fodas a cabeça.

 

9) Ser mãe é a melhor coisa do mundo.

Prometes?

 

10) Com essa idade o meu filho já falava alemão, montava a cavalo e escalava o Everest.

O meu filho come migalhas do chão, serve?

 

Eu escrevi só dez coisas porque não tenho a vida toda, vocês sabem como as pessoas adoram dizer merda.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

27
Set18

Os conselhos dos outros são uma merda

Susana

Quando engravidamos e anunciamos ao mundo que vamos ser mães, o mundo segura-nos na mão e começa a dar-nos conselhos. E por mundo quero dizer mundo, o mundo inteiro, todas as pessoas do raio do mundo inteiro possuem informação privilegiada que por um qualquer acaso não chegou até nós mães desprovidas de cérebro, capacidade de pesquisar informação e de tomar decisões.

 

As mães dos grupos de mães, a vizinha do 3.º esquerdo, a colega de trabalho, a enfermeira do centro de saúde, a nossa chefe, a mulher na sala de espera do consultório, as terapeutas do sono, as deusas da parentalidade positiva, a bloguer/influencer/instagramer/youtuber, a avó que está com o neto no parque infantil, o taxista que nos leva a uma consulta, a empregada de balcão do café onde tomamos o pequeno-almoço, a mulher na paragem do autocarro, a educadora da escola dos miúdos, a nossa cabeleireira, a empregada da caixa do supermercado, a nossa gestora de conta do banco, o nosso pai, a nossa mãe, a nossa avó, a nossa sogra, a nossa tia, a tia da tia da prima, a prima em quarto grau que só vemos no Natal, a melhor amiga, a amiga que está a viver no estrangeiro, a amiga que acabou de ser mãe, a amiga que não tem filhos, a sogra da nossa amiga e a amiga da nossa amiga que conhecemos na festa de aniversário da filha da nossa amiga.

 

Qualquer uma das pessoas acima e todas as outras que se abeiram de uma mãe, que me levava a vida inteira para enumerá-las a todas, conseguem perceber rapidamente que merda é que estamos a fazer mal e mostrar-nos a luz, o caminho da sabedoria, os passos para a perfeição e enfiar-nos na cabeça a filha da puta da culpa. Rapidamente nos mostram que não escolhemos o melhor obstetra, que estamos a engordar demasiado, que não estamos a usar o melhor creme para as estrias ou a tomar as vitaminas adequadas, que a barriga está muito descaída e a criança deve estar quase a nascer e que para acelerar o parto basta-nos andar muito ou comer comida picante, dizem-nos que não sabemos o que é parir porque implorámos por uma epidural, que devíamos ter tido o nosso filho num hospital público e não no privado, elas sabem se devemos ou não receber visitas, se estamos a amamentar bem ou que não devíamos dar leite adaptado, elas olham para os nossos filhos e pesam-nos com os olhos e juram que estão magrinhos, aconselham-nos os melhores médicos, que nunca são os nossos, indicam-nos medicamentos, tratamentos e duvidam seriamente das razões porque os nossos filhos estão sempre doentes, dizem-nos que damos demasiado colo, que os miúdos são mimados, sabem mudar as fraldas melhor que nós e os rabos só ficam assados com a mãe porque a mãe não usa creme suficiente, sabem a idade exata em que os nossos filhos devem começar a comer a sopa e fuzilam-nos se lhes damos papas, sabem quando devem nascer os primeiros dentes e quando devem começar a palrar, a sorrir, a gatinhar, a andar, a falar corretamente português e inglês e a andar a cavalo, ensinam-nos todas as teorias da parentalidade positiva, consciente, mindfulness e todas as tretas para nos conectarmos com os nossos filhos, conseguem resolver qualquer birra sem esforço, impor rotinas para adormecer e não, com eles não há cá essa merda da privação do sono.

 

(inspira, expira, inspira, expira)

 

Quando somos mães dizem-nos que estão felizes por nós, dão-nos os parabéns e juram que vamos ser as melhores mães do mundo, mas desconfio que estão só felizes por ter mais uma mãe a quem foder o juízo.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

 

18
Set18

Algumas mentiras que já disse aos meus filhos (mais que uma vez):

Susana
- Mãe, onde é que tu e o pai vão?

 

Mentira: Vamos trabalhar.

 

Verdade: Vamos passar o fim-de-semana fora e voltamos amanhã. 

 

 *

 

- Porque é que não podemos ir ao cinema com vocês?

 

Mentira: Os senhores do cinema não deixam entrar meninos pequenos à noite.

 

Verdade: Foda-se, era o mais que faltava.

 

 *

 

- Mãe, compraste aquela revista que eu pedi? 

 

Mentira: A papelaria estava fechada.

 

Verdade: Merda, esqueci-me.

 

 *

 

- Podemos ouvir o cd do Panda e Os Caricas?

 

Mentira: O cd está riscado, já não dá para ouvir.

 

Verdade: Vou partir o cd ao meio com as minhas próprias mãos.

 

 *

 

- Mãe, podes comprar-me uma Barbie?

 

Mentira: Compramos noutro dia.

 

Verdade: Nunca!

 

 *

 

- Estás a ouvir o que eu estou a dizer?

 

Mentira: Sim, filha, claro.

 

Verdade: Que raio é que ela estaria a dizer?

 

 *

 

- Já comemos peixe ao almoço na escola.

 

Mentira: Eu sei filho, mas faz bem comer peixe duas vezes por dia.

 

Verdade: Nem abri o e-mail com a ementa deste mês. Mãe má, mãe má.

 

 *

 

- Mãe, não compraste as bolachas de chocolate.

 

Mentira: Já não havia bolachas. Nenhumas. Já tinham comprado tudo.

 

Verdade: Esqueci-me da merda das bolachas.

 

 *

 

- Posso ver o teu telemóvel?

 

Mentira: Não tem bateria.

 

Verdade: Tem bateria, mas quero ser eu a gastá-la no Facebook enquanto vou à casa de banho.

 

 *

 

- Podes meter na Vampirina?

 

Mentira: As gravações não estão a funcionar, não consigo meter para trás.

 

Verdade: Estou tão farta da Vampirina que prefiro ouvir a música do Diogo Piçarra em loop durante três dias e três noites.

 

 *

 

- No Natal posso pedir um tablet ao Pai Natal?

 

Mentira: Sim, claro, escreves uma carta e depois esperas para ver o que recebes.

 

Verdade: O cabrão do Pai Natal não existe e ainda não tens idade para ter um tablet.

 

 *

 

- Vais dormir a noite toda ao pé de mim, não vais?

 

Mentira: Sim, filha, a noite toda.

 

Verdade: Assim que estiveres a ressonar vou a correr para a sala e adormecer no sofá com o pai.

 

 *

 

- Podemos ir ao parque?

 

Mentira: O parque já está fechado.

 

Verdade: Deus me livre e guarde de me ir enfiar ao domingo à tarde num lugar cheio de pais passivo agressivos a correr atrás dos filhos e a gritar “Zé Mariaaaa, tem cuidado filho!”

 

*

 

- Estás a comer o quê?

 

Mentira: Malaguetas!

 

Verdade: Chocolate!

 

 

Mentir é feio, mentir aos filhos é feio a dobrar, mas dá um jeito do caraças para evitar birras. Quem nunca?

 

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.
14
Set18

Breve inquérito a pais normais (1)

Susana

Hoje meti um homem a escrever por mim e trago-vos o primeiro breve inquérito a pais normais. E para começar o meu amigo Nuno Gonçalo Poças. Já tinha partilhado aqui alguns textos do Nuno, que são sempre uma visão crítica e lúcida da nossa sociedade. E rara. Precisamos de mais intervenções públicas assim, não deixem de o seguir. Voltando ao inquérito, diz o Nuno que desde que foi pai nunca mais tomou banho sozinho #estamosjuntos e que os homens que não estão dispostos a partilhar com as mulheres o lado negro da parentalidade deviam ficar quietos.

 

As respostas do Nuno.

 

Nuno Poças, 32 anos, cansado, advogado, casado e pai de uma filha de 16 meses.

 

Qual a coisa de que tens mais saudades de fazer desde que és pai?

De poder deitar-me tarde e dormir sem limites. De comer sem ter de partilhar tudo o que como. De poder tomar banho sem dedos a apontar para mim do lado de fora da banheira. De não estar sempre a apanhar coisas do chão. De não estar sempre a dizer “não”. De poder ir para qualquer lado só com uma mochila ou com a carteira no bolso.

 

O que mudou em ti com a paternidade?

A capacidade que ganhei de trabalhar um dia inteiro e chegar a casa sem saber o que estive a fazer porque estive cheio de sono o dia todo. Mudou muito a forma como olho para o futuro, sobretudo, e a forma como decido determinadas coisas na minha vida. Despedir-me por cansaço, por exemplo, deixou de ser uma opção e antes de ter filhos era.

 

És o pai que imaginaste?

Acho que sim, com os defeitos e tudo. Mas também sei que se é pai todos os dias e que todos os dias os miúdos mudam e nós com eles, todos os dias temos de estar à altura e há dias em que não estamos, por isso não sei bem. Sei que faço o melhor que sei e que posso, que já fiz coisas que nunca me tinha imaginado a fazer e que já fiz coisas de que me arrependi. Mas acho que sim, que sou o pai que imaginei. A minha filha vai para a escola e passa algum tempo a perguntar por mim, por isso acho que sim.

 

Que conselho darias a alguém que está a pensar em ser pai?

Primeiro que queiram mesmo ser pais e que saibam estar à altura da circunstância. Que se envolvam tanto como as mães, que não deixem o lado negro disto para elas. Que sejam Homens e percebam que é preciso mudar fraldas, dar banhos, acordar a meio da noite, preparar biberões, e que se podem continuar a fazer imensas coisas que se fazia sem filhos, mas de forma diferente ou mais reduzida. Se não estão para isso, é melhor estarem sossegados e pouparem uma mulher à tormenta que é criar uma criança sozinha.

 

Sigam o Ser Super Mãe é Uma Treta também no Facebook.

Mais sobre mim

foto do autor

Instagram

Spotify

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D