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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

29
Ago17

Feminismo capaz, não obrigada

Susana

Faz-me um bocado de confusão que mulheres inteligentes, com educação e cursos superiores, que se movem em círculos restritos, que têm acesso à informação, que ocupam lugares importantes nas empresas, que lêem os livros certos, que vêem os filmes certos, que estão a par de todas as séries que interessam, que são especialistas, mestres e doutoradas em tudo e mais alguma coisa, gastem a sua energia a censurar livros, histórias e brinquedos de meninas. Como se fosse isso que limitasse as mulheres. Como se elas não tivessem brincado com bonecas e ouvido contos de fadas, como se não tivessem visto o filme da porra da Cinderela e da Bela Adormecida, como se não tivessem vestido saias e tivessem ansiado pelo dia em que pintaram os lábios pela primeira vez e se mesmo assim não tivessem tido acesso à mesma educação que os rapazes, como se não tivessem sido mais focadas que os colegas rapazes, como se não tivessem tido melhores notas que os colegas rapazes. Custa-me imenso que estas mulheres não entendam que tudo passa por uma coisinha de tão pouca importância, o nosso útero. Ou isso, ou somos realmente umas burras, parvas e incompetentes, que só nos vamos dar bem neste mundo de homens, quando nos vestirmos como eles, coçarmos os tomates na rua, cuspirmos para o chão e laquearmos as trompas.

 

Que acabe depressa esta silly season que eu estou farta de gente inteligente a fazer papel de burra.

29
Ago17

- Cresce devagarinho, filha.

Susana

Ontem estive uma eternidade para adormecer a minha filha. Nada de novo. Quando acabo de lhe contar a história e apago a luz, já sei que antes de adormecer é obrigatório falarmos um pouco sobre o nosso dia. Não me queixo. Eu gosto das nossas conversas e ela também, mas ontem não era uma conversa que ela queria, era um monólogo e eu interrompi. Ela estava a contar-me uma coisa importantíssima e assim que eu abri a boca para fazer uma pergunta deu-se a tempestade perfeita. O quarto encheu-se de nuvens negras, raios e trovões. Vesti a gabardine, abri o chapéu-de-chuva e respirei fundo.

 

- Nunca mais falo contigo! Porque é que me fizeste isso? Não quero mais ser tua amiga!

 

O sono, o cansaço, as frustrações e as preocupações do dia todas despejadas em cima da mãe.

 

- Eu sou tua amiga sempre, mesmo que tu digas que não és minha amiga, desculpa ter-te interrompido. Podes continuar a contar-me o que aconteceu. 

 

 - Estou muito triste, só vou voltar a falar contigo quando me apetecer. 

 

Chorou, resmungou, soluçou, só voltou a falar comigo para me pedir desculpa e acabou por adormecer ao meu colo.

 

As mães são sacos de pancada dos filhos.

 

A minha filha tem milhares de pensamentos na cabeça e quer contar-me todos. Quer relatar-me o dia desde o princípio ao fim, o dela e o do irmão. Quer dizer-me o que a aborreceu e quem e espera de mim respostas para saber como reagir. São quatro anos de uma miúda que às vezes parece uma adolescente, (devem ser todos assim) e eu por um lado, orgulho-me que ela não seja uma tonta, que pense sobre as coisas, que sinta e que converse comigo e com o pai sobre o que sente, mas por outro só queria que, pelo menos por um dia, só um dia, ela não pensasse tanto, que me contasse apenas disparates e brincadeiras, sem dramas e questões existenciais, porque por muito que eu tente ser uma mãe descomplicada, as dores de crescimento da minha filha deixam-me sempre com um nó na garganta e um aperto no peito. 

 

- Cresce devagarinho, filha. 

25
Ago17

O segundo filho

Susana

No outro dia estava a trocar mensagens com uma amiga que me confidenciou que estava a tentar engravidar do segundo filho e numa pergunta que foi já em si uma afirmação, disse-me: será boa ideia? Fica o dobro mais difícil?

 

Eu gostava que a minha amiga não me tivesse feito aquela pergunta. Todo o cansaço que ela sente agora não é nada comparado com o cansaço que ela vai sentir, todas as birras que ela agora atura são poucas comparadas com as que ela vai aturar, todos os berros que ela agora dá são poucos comparados com os berros que vai dar e o pouco tempo que agora tem para ela vai-se transformar em ainda menos tempo para ela.

 

Não queria ter de lhe dizer estas coisas, quando ela está naquele lugar mental em que o segundo filho ainda só é uma ideia que não dá trabalho. E eu que não sou dada a floreados e a paninhos quentes, que prefiro mil vezes uma chapada da verdade à surpresa do desconhecimento, senti-me culpada por lhe dizer que sim que vai ficar difícil, muito mais difícil, incrivelmente difícil.

 

Penso nos meus filhos e lembro-me como foram duros os primeiros tempos. As birras que a minha filha fazia quando eu estava a amamentar o irmão. Subia móveis, deitava tudo para o chão, pedia coisas que não lhe podia dar naquele momento e chorava, chorava muito. Queria que eu lhe desse colo ao mesmo tempo que amamentava, queria segurar-me na mama para ajudar, para fazer parte de tudo. Lembro-me como ainda é difícil quando estou sozinha com os dois. Despachar os miúdos de manhã, deixá-los na escola, o final do dia a correr, os banhos, a hora do jantar e o terror de ter de os adormecer, a minha maior inabilidade enquanto mãe. As birras e os choros vezes dois, as guerras pelos mesmos brinquedos ou porque um quer ver uma coisa na televisão e outro quer ver outra e a mais velha sempre a querer mandar no mais novo e ele a resistir. E os gritos deles.

A verdade é que fica mesmo tudo mais difícil e mais cansativo, chega a ser desesperante às vezes, mas pensando mais uma vez nos meus filhos, fica também tudo muito, mesmo muito melhor. Mais completo e mais feliz, apesar do caos.

 

A minha filha amou o irmão desde a primeira vez que o viu. Os olhos brilham quando fala dele e trata-o muitas vezes pelo “nosso menino”. Sempre me quis ajudar, desde mudar a fralda, ao banho e a dar-lhe o biberão. É protetora e preocupada, está sempre atenta e faz o relatório de tudo o que aconteceu na escola. Já estão naquela fase em que brincam muito um com o outro, a outra, em que os irmãos mais novos são uns bebés desinteressantes que só comem e dormem, ficou lá atrás. São companheiros apesar dos gritos, adoram-se e não se largam, irritam-se e aprendem um com o outro e nada me emociona mais que vê-los sentados lado a lado a lerem um livro.

 

À minha amiga, não lhe mentindo sobre a dificuldade e o cansaço, não posso deixar de lhe dizer o maravilhoso que vai ser, a felicidade e o amor a dobrar que vai sentir e a certeza inabalável de que os irmãos são o melhor presente da vida.

 

Texto escrito em parceria com a Up To Kids.

 

23
Ago17

Labirintos, princesas e indignações de três dias

Susana

Se a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género se dedicasse a analisar com seriedade aquilo que se passa nas empresas e deixasse os livros que são comprados pelos pais, sem que alguém lhes aponte uma arma à cabeça, é que fazia bem.

 

A Mariana tem um livro de colorir da Minnie e o Tiago tem um do Mickey. A Mariana tem um livro de actividades da Frozen, o Tiago tem um da Patrulha Pata. A Mariana tinha uma escova de dentes cor de rosa e o Tiago uma azul, agora a Mariana tem uma verde e o Tiago uma azul. Continuam a lavar os dentes como sempre lavaram. A Mariana tem vários Nenucos, o Tiago tem vários carrinhos. A Mariana gosta de ver o Ruca, o Tiago gosta de ver a Masha e o Urso. A Mariana gosta de pulseiras, relógios, fios, ganchos e de meter batom, o Tiago também. A Mariana gosta de brincar com os Nenucos, com puzzles, com os carrinhos, com os legos, gosta de pintar, de livros e de fazer bolas de sabão, o Tiago também. A Mariana sonha com o dia em que vai poder conduzir, o Tiago ainda não pensa no assunto, mas gosta de empurrar os carrinhos de bebé da irmã. A Mariana diz que vai ser médica, professora, mãe e que vai precisar de um pai para os filhos, o Tiago ainda não pensa sobre o assunto, mas gosta de vestir os Nenucos da irmã, de lhes dar comer e mudar a fralda. A igualdade de género não começa nos brinquedos de menina ou menino ou nos livros para menina ou menino. O problema está mais à frente. Está na forma como a sociedade olha para as mulheres e esse olhar é condicionado pela maternidade. Somos um empecilho nas empresas. Menstruamos, sofremos de tensão pré menstrual, (essa frescura de gajas), engravidamos, parimos e ficamos em casa com os filhos em casa quando estão doentes.

 

Nos dias de hoje falamos muito sobre machismo. Ou gritamos muito sobre machismo. Tudo é machismo. Tudo é um ataque brutal contra as mulheres, pobres coitadas de nós. Um elogio, um piropo, um livro de atividades com princesas e labirintos mais fáceis. Continuem a indignar-se com a falta de gosto das editoras e não procurem educar os vossos filhos pelo exemplo, não exijam mais de quem nos governa e de vocês próprios. Em vez de perderem o vosso tempo em indignações de três dias, perguntem-se onde estão as mulheres nas empresas, na administração pública, no governo. Perguntem-se quanto ganham os homens que trabalham ao vosso lado e quanto ganham vocês. Perguntem-se quantos degraus eles subiram na empresa e quantos degraus subiram vocês. Por muitas marias capazes que existam e por muito que gritem, enquanto não for compreendido pelas mulheres e pela sociedade em geral, que a condição da mulher está desde sempre ligada à maternidade nada vai mudar.

 

Eu sou mulher, mãe, trabalhadora e feminista e acredito que há muito por fazer pelas mulheres, não me parece é que estar a gritar a toda a hora lobo, vá fazer alguma coisa por nós. Mas se quiserem continuem a gritar.

 

A propósito da mais recente indignação a incendiar as redes sociais.

 

 

17
Ago17

O choro, as birras, quando é que isto acalma?

Susana

A minha filha chora por tudo e por nada. E adora. É a sua veia dramática, artística, para ela chorar é como cantar. A mim dá-me cabo dos nervos!

 

Tem mau acordar e o grau da má disposição é sempre imprevisível. Pode acordar já a chorar, sabe Deus porquê, pode acordar a resmungar e a dar pontapés no ar ou numa versão mais soft, pode acordar a choramingar pela mamã ou pelo papá.

 

Acorda, vai para o sofá e chora porque não estão a dar os desenhos animados que quer ver, chora porque quer beber um iogurte e não o leite ou porque quer o leite e o leite está quente, chora porque não quer comer pão, chora porque quer comer do nosso pão, chora porque nós queremos ver as noticias, chora porque não é fim-de-semana, (como eu a entendo), chora porque não quer levar sandálias, chora porque não quer vestir uma saia, chora porque não quer lavar os dentes sozinha, chora porque não se quer pentear, chora porque quer que eu a vá levar à escola, chora porque quer ir levar-me aos barcos antes de ir para a escola, chora porque quer descer as escadas ao colo do pai.

 

Chora, chora, chora e ainda não saímos de casa.

 

No carro chora porque eu não lhe empresto o telemóvel, chora porque se esqueceu de alguma coisa em casa, chora porque não quer ir à escola, chegamos aos barcos e chora porque não quer que eu vá trabalhar, chora mais uma vez porque não quer ir à escola, chora porque tem os lábios secos e esqueceu-se do batom, eu empresto-lhe o meu batom, dou-lhe um beijo, desejo-lhe um bom dia de escola, fecho a porta do carro e ela continua a chorar.

 

O pai vai levá-los à escola e ela fica a chorar se quem abre a porta não é a educadora que ela estava à espera, chora porque quer ir para casa com o pai, chora porque não quer ficar na escola, chora porque a vida não é justa.

 

Ao final do dia chora porque quer ir ao parque antes de ir para casa, chora para sair do carro, chora porque quer subir as escadas ao colo do pai, chora porque quer ver televisão em vez de ir tomar banho, chora porque tem uma ferida invisível na mão e não a posso molhar, chora para sair do banho, chora para se vestir porque está a cair de sono, chora porque não gosta de secar o cabelo, chora porque não se quer pentear, chora porque não sabe dos chinelos, chora quando a chamamos para vir para a mesa, chora quando mudamos a televisão de canal, chora para comer tudo o que está no prato, chora porque quer sair da mesa.

 

Chegamos à hora de ir dormir e chora porque não quer só uma história, quer três ou quatro e a última história não pode ter bruxas ou monstros ou lobos, porque não quer ter sonhos maus, chora porque quer que seja a mãe a adormecê-la, sempre e desde sempre, chora quando as histórias acabam e apagamos a luz para dormir, chora quando não a deixo estar a tagarelar a noite toda em vez de dormir.

 

Chora, chora, chora, isto vai acalmar certo?

14
Ago17

Para o meu irmão

Susana

Hoje o meu irmão faz dezanove anos, precisamente a idade que eu tinha quando ele nasceu.

 

Ele não sabe, mas foi com ele que aprendi a ser mãe. Sou a mais velha de três irmãos e por circunstâncias da vida, que não lamento, a vida é o que é, aos dezanove anos vi-me como uma segunda mãe do meu irmão.

 

Com ele aprendi a mudar fraldas, a dar banho a seres minúsculos, a acalmar as cólicas, dei biberon, papas e sopa, fui a consultas de rotina onde as enfermeiras me tratavam como uma mãe adolescente, aturei birras no supermercado com direito a olhares de reprovação de quem passava, apanhei sustos terríveis quando ele ficava doente e a febre subia demais ou como daquela vez em que adormeceu debaixo da cama e corremos tudo à procura dele, aprendi o terrível que é tentar adormecer um bebé com birras de sono e eram muitas, cozinhei muitas vezes arroz de tomate com atum - a sua comida preferida, vi com ele milhares de vezes todos os filmes do Rei Leão e do Toy Story, vi-o adormecer sentado no sofá a esfregar a fita da chucha no nariz e vi como adorava o nosso gato que fazia de confidente contra a bruxa que lhe ralhava.

 

Fui mãe-irmã galinha, protegi-o como uma leoa, dei-lhe muito e recebi ainda mais. Ele cresceu, é um miúdo maravilhoso, como poucos o são com esta idade e eu também sou uma mãe melhor por causa dele.

 

Obrigada meu irmão-filho, muitos parabéns, que sejas sempre muito feliz.

12
Ago17

A primeira vez que senti culpa

Susana

A primeira vez que senti culpa ainda estava na maternidade.

 

Na primeira noite a seguir ao nascimento da minha filha, ainda com o efeito da epidural e de todas as drogas que nos dão a seguir à cesariana, eu dormi cinco horas seguidas e a minha filha, no berço ao lado da minha cama, dormiu também. Eu ia abrindo os olhos, mas a minha força de vontade não era suficiente para me manter acordada. Quando acordei senti-me a pior das mães e ainda só era mãe há menos de vinte e quatro horas.

 

Na consulta com a pediatra para nos dar alta, fui informada que a minha filha tinha perdido muito peso. Ela não estava a mamar o suficiente e eu não tinha percebido – nem eu nem os enfermeiros. De cada vez que os chamava, porque ela se irritava com a mama ou porque passava horas agarrada a mama, a única coisa que me diziam era que eu tinha imenso leite, para continuar a insistir. E eu insistia, insistia, insistia, mas a miúda estava a chuchar e não a mamar.

 

Senti-me mais uma vez a pior mãe do mundo. Como é que eu não percebi que ela não estava a mamar? A amamentação não era aquela coisa especial entre mães e filhos? Que raio de mãe eu ia ser? Ao quarto dia toda eu era culpa, olhava para a minha filha minúscula e chorava enquanto lhe dava biberons de leite adaptado para ver se ela ganhava peso.

 

Ganhou peso, tivemos alta ao final do dia e nos dias seguintes eu passava o tempo a querer pesá-la. Entre a guerra para ela mamar e os biberons de LA, eu quase enlouquecia de culpa. Ao fim de um mês deixei de dar mama e passei exclusivamente para o LA.


A hora do leite deixou de ser uma guerra, ela continuou a ganhar peso e eu deixei de me sentir culpada.

 

Desde essa altura que tento viver a maternidade sem o peso da culpa. Tento estar sempre consciente que faço o melhor que consigo e que tomo as melhores decisões com as condições que tenho. Não dou importância às opiniões dos outros, as decisões para a nossa vida são tomadas apenas a dois, tento existir para além dos filhos e não os compenso por algum mal imaginário que lhes possa ter infligido.

 

Os filhos sugam a nossa energia desde o primeiro dia, esgotam-nos física e mentalmente e acrescentar a essa equação a culpa e o sacrifício, é como ter uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento.

 

A culpa? Que morra sozinha.

 

Texto escrito em parceria com a Up To Kids.

09
Ago17

Gajas!

Susana

Os meus filhos brincam imenso um com o outro. O dia todo. Aos médicos, aos pais e aos filhos, às lojas, às escolas. Tudo corre bem durante uns minutos, enquanto o mais novo segue à risca as instruções da mais velha, assim que ele pega num boneco que não deve ou pega nos brinquedos dele e vai à sua vida, começam os gritos, os choros, os nunca, nunca mais vou ser tua amiga, és um bebé, não mexas mais nos meus brinquedos e os sai daqui. E é isto o dia todo. Paz durante uns minutos, gritos durante uns minutos, novamente paz durante uns minutos, mais gritos durante uns minutos. Ter dois filhos com idades tão próximas é maravilhoso, crescem aos mesmo tempo, brincam juntos, gritam um com o outro, atiram brinquedos ao ar ao mesmo tempo e ensaiam uns estalos de vez em quando.

 

Estar com eles em casa há quase duas semanas, tem sido um verdadeiro teste à minha pouca paciência. A maior parte do tempo o meu trabalho é o de ignorar a confusão e esperar que resolvam os problemas sozinhos, o tempo que sobra é passado a dizer para não gritarem, para não se baterem e a explicar à mais velha que tem que ter paciência com o irmão.

 

- Sim, mãe, eu sei que eu sou mais crescida e ele é bebé, mas ele não faz aquilo que eu quero e eu fico chateada.

08
Ago17

Descobri a brincadeira perfeita

Susana

A minha filha adora brincar aos médicos e como o irmão estava a dormir a sesta não parava de insistir para ser eu a brincar com ela. Aceitei. Deitei-me no sofá e fiquei lá quase uma hora a queixar-me de tudo e mais alguma coisa. Mediu-me a febre, viu-me a garganta e os ouvidos, esfregou-me creme nos braços, fez-me uma massagem na cabeça e nos pés e ainda me mandou dormir um bocadinho porque eu estava muito cansada. E eu dormi. Registou tudo no computador, ligou para um colega a pedir uma segunda opinião e ainda me passou uma receita para aviar na farmácia.

 

"Boas melhoras!" - disse ela no fim da consulta.

08
Ago17

A cabeça das pessoas é um lugar estranho

Susana

Não sou por natureza moralista. A mim pouco me interessa como os outros vivem as suas vidas e o que pensam, mas não deixei de ficar incomodada quando li este artigo. Conheço mulheres que escolheram não ter filhos. Não gostam, não querem, não lhes apetece e eu nunca as julguei. Fizeram uma escolha para a vida delas, tão válida como a minha em ter filhos. O que me deixa incomodada nestas mulheres que se arrependeram de ser mães, não é o que elas sentem, porque nós não fazemos ideia do que se passa na cabeça de cada um, mas sim o tipo de relação que elas têm com os filhos.

 

Existem mães que sempre desejaram ter filhos e que são completamente mind fuckers, eu sei, mas e estas mães? Como é que elas se relacionam com os filhos sem amor? Como é que elas se relacionam com os filhos quando tudo o que veem é sacrifício? Quem dá amor a estas crianças? Que adultos vão ser?

 

Isto é o que me incomoda: mulheres que dizem que abdicariam dos filhos sem pestanejar a criar crianças sem amor.

 

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