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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

30
Dez17

2018, podes vir!

Susana

Comecei a escrever sobre este ano e dei por mim a escrever um texto morninho e cheio de pensamento positivo. Depois de me olhar ao espelho e confirmar que eu era eu, penitenciei-me com dez chapadas e apaguei o texto.


Este ano foi um ano filho da mãe. Não há lugar a palavras doces. Repito: foi um ano filho da mãe.

 

Testou a nossa família com golpes duros, muitas viroses, muitas ausências do pai, a mudança de escola dos miúdos, muitas birras e muitas noites mal dormidas. Olho para trás e o que vejo é uma mulher esgotada, cheia de sono e a viver em piloto automático.


Não li os livros que gostava de ter lido, aturei demasiadas birras, pensei que fosse enlouquecer, não peguei na máquina fotográfica uma única vez, ainda não foi este ano que fomos ao teatro, será que fomos a algum concerto? Não me lembro. Apanhei várias camadas de nervos, como diria a minha querida avó. Acho que fomos duas vezes ao cinema, ou terá sido uma? Fiz a depilação menos vezes que o desejável, a tinta para pintar os cabelos brancos ficou muitas vezes esquecida, não tivemos o tempo merecido a dois, sexo, isso existe depois da maternidade? O emprego continuou a ser a minha pedra no sapato, não cuidei de mim como deveria, adormeci vezes demais no sofá enquanto o meu marido conversava comigo, as várias dietas que comecei duraram dois dias, passei a detestar pessoas ainda com mais convicção. Os miúdos estiveram doentes a porra do ano todo, um de cada vez e os dois ao mesmo tempo. A minha paciência conheceu novos limites, gritei vezes demais ou talvez não, que a parentalidade positiva não é para mim e esqueci-me muitas vezes de existir para além dos filhos ou para ser mais justa, não tive muito tempo para existir para além dos filhos.


Estamos quase no final do ano e se, por um lado, a vida não se compadece com calendários, por outro, sinto em mim todo o peso do ano que está a acabar e não desfazendo de tudo o que de bom aconteceu e foi muito, é impossível olhar para trás sem desejar que chegue depressa um novo ano, com doze meses inteirinhos, para eu o encher de planos que não vou concretizar, de noites mal dormidas, de camadas de nervos e de birras dos meus filhos.


Podes vir 2018, mal posso esperar.

 

Texto em parceria com a Up to Kids.

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