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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

02
Jul18

A mãe está cansada

Susana

A mãe está cansada. As mães estão sempre cansadas. É normal, faz parte, dizem-nos. Ignora-se o cansaço da mãe, porque é normal, faz parte. É preciso aguentar, já se sabe como é, um dia melhora. Até que a mãe não aguenta, não melhora e não percebem porquê. As mães estão sempre cansadas, é normal, faz parte, porque raio ela não aguentou?

 
Um destes dias, numa consulta com o meu filho, conversava com o meu médico de família sobre o cansaço, o meu cansaço. Tem sido um ano filho da mãe. O meu médico sabe, vemo-nos com muita frequência, infelizmente. 
 
- Já sabe mãe, faz parte. 
 
Eu que já não sou a Susana, sou a mãe, deveria saber que faz parte. O cansaço, a exaustão, o sono constante, os braços que carregam colos e as costas que teimam em doer, o cérebro que não quer funcionar e o stress acumulado faz parte. Embrulha o pacote e aceita como um presente da vida. Filhos e cansaço de mãos dadas. 
 
Já tive várias conversas destas com médicos, amigas, com a minha mãe, com desconhecidas e o cansaço faz sempre parte. Ponto final nesta conversa. 
 
As mães trabalham fora de casa e dentro de casa, regra geral muito mais horas que os homens, as mães guardam para si a tarefa de cuidar dos filhos quando estão doentes, da lida da casa que nunca acaba, da roupa que parece procriar no cesto da roupa suja, das compras que alimentam a família, que acodem a todos os gritos pela "Mãe!", consomem-se em mil e uma birras por mil um motivos, são saco de pancada dos filhos e as mães não podem dizer um ai, não podem dizer que estão cansadas, esgotadas, porque faz parte.
 
Calem-se! 
 
As mães sabem que faz parte, mas é imperativo que em vez do óbvio nos digam o que podem fazer para nos ajudar, do que precisamos, que nos digam para não nos esquecermos de nós, que cinco minutos sentadas no sofá não conta como descanso, que precisamos de existir e de vez em quando mandar tudo mais alto que as estrelas e gritar:
 
- Eu não sou só a mãe, o meu nome é Susana.
 
(Os pais também estão cansados, o meu marido está tão exausto como eu, somos uma equipa e nem consigo imaginar o cansaço de quem não funciona em equipa, mas como em tudo, falo por mim, pelas mães, os pais que comecem a escrever e a falar sobre isto, gritem ao mundo que também fazem parte desta loucura de ter filhos.)
 
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02
Jul18

Não, eu não educo os meus filhos para o feminismo.

Susana

“- Mãe, estás a fazer o jantar porquê? É o pai que costuma fazer o jantar.”

 

Quando alguém diz que os rapazes devem ser educados para o feminismo eu hesito entre bater com a cabeça na parede ou respirar fundo e perguntar como é que funcionam as coisas lá em casa.

 

Eu explico, sou mãe de um rapaz e de uma rapariga e ambos recebem a mesma educação e o mesmo exemplo. E o exemplo começa pela igualdade e o respeito entre o pai e a mãe. Em nossa casa o aspirador e o pano do pó não são propriedade da mãe, o pai lava a loiça, faz o jantar, vai às compras, leva os miúdos à escola e ao médico e trabalha, como a mãe. Não existem tarefas da mãe e tarefas do pai. Não existe a figura autoritária do pai e a figura permissiva da mãe. Não existem ameaças físicas nem psicológicas, não existe violência física nem verbal. Nunca é demais lembrar que filhos que crescem em ambientes abusivos têm grande probabilidade de se tornarem adultos agressores.

 

As crianças são esponjas e o respeito pelos outros e por si mesmas ensina-se pelo exemplo, por terem uma mãe que trabalha, que é independente, que se respeita e é respeitada e por terem um pai que se rege pelos mesmos princípios.

 

Recuso-me a educar o meu filho como futuro agressor e a minha filha como futura vítima.

 

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros. E estes não são princípios exclusivos do feminismo, são pilares básicos para uma sã convivência em sociedade, sem discriminações ou abusos de qualquer género.

 

Hoje são crianças de três e cinco anos, cujas questões nos aparecem na medida da idade que têm. Outras irão surgir com o tempo, como o valor do seu corpo, a não discriminação das mulheres no local de trabalho, a violência, o assédio, mas se as bases estiverem lá tenho esperança de que se irão tornar em adultos responsáveis e respeitadores dos outros. E a esperança também entra nestas contas. Os pais fazem a sua parte, esforçam-se para serem um bom exemplo, com ações e não apenas com palavras, e o resultado será uma mistura desse exemplo, da personalidade dos filhos e de uma boa dose de sorte.

 

Por isso, não, não educo os meus filhos para o feminismo. Educo-os para o humanismo.

 

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