Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

17
Jan18

Breve inquérito a mães normais (5)

Susana

Esta semana trago-vos a minha amiga Maria João Marques. É mãe de dois rapazes que dominam a arte de a manipular. Assume-se uma mãe leoa, afetuosa e que perde a paciência mais vezes do que gostaria. Não perdemos todas? É também uma mulher preocupada com o papel das mulheres nas empresas, na política, na sociedade, tem mau feitio na hora de defender os valores que considera importantes (e ainda bem), não prescinde de ter uma voz ativa e não abre mão de reivindicar o espaço que deveria ser das mulheres. São também estes valores que não deixa de transmitir aos filhos. Deixo-vos as respostas da Maria João, não deixem também de a ler por aí.

 

Maria João Marques, 43 anos, Economista, dois filhos, de 11 e 8 anos

 

Qual a coisa de que tens mais saudades de fazer desde que és mãe?

Tenho saudades de não ter horários, de poder jantar fora quando me apetecesse, de não ter de me preocupar com almoços ao fim de semana, de não andar sempre a correr durante a semana de manhã para levar a criançada para as aulas e a partir do meio da tarde a ir buscá-los, levá-los a atividades e a consultas, banhos, trabalhos de casa, jantar, deitar, ufa, enfim, de não terminar os dias com o sentimento de dona de casa desesperada. Não por qualquer desespero ou infelicidade, mas pelo desgaste da correria emparelhado com o tempo que o trânsito de Fernando Medina me faz perder.

 

O que mudou em ti com a maternidade?

A maternidade coloca o centro da nossa vida nos filhos, em vez de em nós. Isso em si mesmo é uma realidade que nos torna melhores pessoas e mais generosas. Deixamos de ser tão auto centradas. Também nos torna mais claras as prioridades da vida. Sabes o que vale a pena e aquilo que é irrelevante. Deixas de ter tempo para as questiúnculas pouco importantes, estás emocionalmente demasiado ocupada para alimentar ódios ou embirrações de estimação. Por outro lado, ficamos exímias na gestão do tempo. Aquilo e quem não nos interessa é riscado do nosso horário e desaparece da nossa vida. Deixamos de ter tempo para fazer fretes.

 

És a mãe que imaginaste?

Não. Ou, pelo menos, não em quase tudo. Não imaginava que fosse um amor tão avassalador. Sou imensamente mais protetora e leonina que alguma vez supus. Tinha a ilusão de que seria uma mãe calma e controlada; claro que, afinal, expludo e grito e perco a paciência e a cabeça mais vezes do que devia. Também não acreditaria se me dissessem que seria tão facilmente manipulável e que capitularia perante os meus filhos com tanta facilidade - ou por cansaço ou por admiração pela proficiência infantil na hora de manipular. Na parte em que não me enganei a mim própria, acho que lhe consigo transmitir os valores que sempre achei que conseguiria; dou-lhes a conhecer pontos de vista originais, curiosos e bem humorados sobre a vida, tal como desconfiava que faria; e sou uma mãe afetuosa e cúmplice e com aversão à disciplina rígida - aqui também não me surpreendi.

 

Que conselho darias a alguém que está a pensar em ser mãe?

Que se prepare para o cansaço e para as despesas, que são sempre mais que planeamos. Que tenha como prioridade absoluta conseguir ter tempos para si própria. Nem que seja, nos momentos mais alucinados dos primeiros anos da maternidade, meia hora para estar enrolada no sofá a preguiçar. E que seja generosa consigo própria, perdoando-se os muitos erros e imperfeições.

Mais sobre mim

foto do autor

Instagram

Spotify

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D