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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

17
Nov17

Eu só só uma mãe normal

Susana

Hoje dei por mim a pensar porque raio criei o blog, quando muitas vezes não o consigo manter como imaginei. Imaginei-me a ser obrigada a escrever mais do que escrevia, a ter uma rotina e a ser disciplinada. Era impossível ter sido mais ingénua que isto.

 

Na outra noite tinha um texto para escrever, parte dele estava escrito na cabeça, tinha umas notas soltas no telemóvel, mas precisava de um pouco de silêncio, (esse luxo quando somos pais) e de me sentar com o portátil à frente. O meu marido e os miúdos foram buscar-me aos barcos, como sempre e no carro a minha filha já antecipava uma puta de uma birra capaz de fazer cair o céu. Cheguei a casa, acabei de separar umas roupas, sai de casa, fui dar a roupa, voltei a casa e reparei que não havia fraldas para o mais novo, (garanto que o miúdo vai casar de fraldas, mas que se foda), voltei a sair para comprar fraldas, voltei a casa e a puta da birra da minha filha já tinha feito estremecer o prédio.

 

Ela estava exausta, cheia de sono e queria ser a primeira a adormecer. Eu explico. Temos um acordo, eu e ela. Eu adormeço o mais novo desde sempre, o raio do miúdo acha que quando o pai o vai adormecer é para brincar e a coisa corre mal, porque o menino do papá é um menino da mamã na hora de dormir. Adiante, para compensar quem adormecia todos os dias a minha filha era o pai, mas há uns tempos deu-lhe uma crise de ciúmes tal que me obrigou, contra todos os meus princípios, a uma negociação, ou seja, noite sim noite não, eu adormeço os dois. Adormeço primeiro o mais novo porque regra geral é mais rápido e a seguir vou adormecê-la, mas naquela noite ela queria ser a primeira, porque nunca é a primeira e o mundo é injusto para as irmãs mais velhas cansadas e cheias de sono. Bom, peguei nos dois, levei-os para a minha cama e adormeci-os ao mesmo tempo. Acho eu, porque eu adormeci também.

Acordei às onze da noite, fui deitá-los nas camas deles, jantei uma taça de cereais, olhei para o portátil em cima da mesa, ignorei-o e adormeci no sofá onde o meu marido já dormia.

 

O texto ficou por escrever, ficou a massacrar-me a cabeça juntamente com os outros que ainda não escrevi. Os textos por escrever vão-se acumulando até que consiga a disponibilidade mental e o silêncio para os escrever e isso às vezes enerva-me, mas também tudo me enerva, desde as birras dos meus filhos, à máquina de secar roupa que decidiu avariar, à porra do metro que está sempre com perturbações, às pessoas no geral.

 

Mas e este é um grande mas, depois percebo que o raio do blog é isto, o blog é feito por uma mãe normal, tão normal que não faz vídeos a abrir presentes, uma mãe suburbana, nem sempre fotografável, com dois filhos que lhe sugam a maior parte da energia, uma mãe que tem sempre sono e que desespera tantas vezes por um pouco de silêncio e um copo de gin.

 

Por isso o blog é isto mesmo, tal e qual como não imaginei, os textos que escrevi e os textos que gostaria de já ter escrito. 

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