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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

27
Dez17

Mãe 1 – Pai Natal 0

Susana

No dia vinte e cinco à tarde, de regresso da casa da minha avó, a minha filha:

 

- O Natal já acabou?

- Está quase a acabar.

- Então quer dizer que já não vou receber mais presentes?

- Já recebeste todos os presentes deste Natal.


De volta recebo um suspiro de tristeza. Imagino que tenha ficado a pensar nos presentes que pediu ao Pai Natal e que não recebeu. Não foi premeditado, nem para lhe dar uma lição, porque as lições são dadas todos os dias. É um bocado estúpido encher a boca de moral e dizer que não vamos encher os miúdos de brinquedos no Natal, se no resto do ano nos esquecemos de dizer não e eles vivem atolados em brinquedos.

 

Dos presentes que os miúdos pediram, apenas tiveram um, os outros foram escolhidos por nós, porque apesar de eles viverem uma mentira, nós vivemos a realidade e quem compra os presentes somos nós e não o Pai Natal. Decidimos que os presentes que tinham pedido ou eram estupidamente caros ou passados dois minutos iam ignorar olimpicamente o que tinham pedido. Escolher presentes através das revistas dos hipermercados dá mais cocó que o bebé que faz cocó de verdade e já me bastou o ano passado ter andado atrás de um Panda que faz cócegas.

 

O meu filho que ainda não percebe essa coisa do pedir presentes ao Pai Natal foi de longe o que mais se divertiu. Receber presentes foi uma festa com direito a palmas e vivas e ainda nem os tinha desembrulhado. Ficou maravilhado com tudo o que recebeu e anda para todo o lado com uma arca de Noé cheia de animais. A minha filha esteve eufórica na distribuição dos presentes, mas depois de os ter desembrulhado via-se nela o olhar de quem procurava alguma coisa. Mas ficou calada e só no dia seguinte é que perguntou pela cozinha que tinha pedido ao Pai Natal, pelo castelo da Frozen e pelo raio do bebé que faz cocó. Expliquei-lhe que tinha recebido outras coisas que não tinha pedido, que o que pedimos ao Pai Natal não é uma ordem, nem nos dá a certeza absoluta de que o vamos receber, mesmo que o nosso comportamento tenha sido exemplar, é um desejo e depois logo se vê que presentes recebemos ou não.

 

Aceitou a resposta, percebi que ficou de pé atrás com o Pai Natal, que ele afinal não é aquele velhinho simpático que responde a todos os nossos caprichos e começou a olhar com olhos de ver para os presentes que tinha recebido e acredito que os passou a apreciar mais.

 

Para mim foi perfeito, o cabrão do Pai Natal perdeu uns pontos, eu fiquei satisfeita com os presentes que lhes oferecemos e no fim os miúdos aprenderam mais alguma coisa.

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