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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

14
Set18

O pós-parto

Susana

O pós-parto, Deus e todos os santos nos ajudem, haverá fase mais filha da puta?

 

Começa naquele momento aterrador em que nos deixam sozinhas com o bebé. O bebé já nasceu, correu tudo bem (ou menos bem), estamos inebriadas com o efeito da adrenalina, das drogas, do cansaço, da confusão da maternidade e eis que a hora da visita do pai acaba e nos deixam sozinhas com aquela criatura que ainda agora estava dentro da nossa barriga e que agora está ali, minúscula e frágil.

 

Dizem-nos que temos que proteger aquela criatura e tudo o que queremos é que nos protejam a nós daquele vendaval de emoções, que nos deem colo e que nos digam ao ouvido que vai correr tudo bem. Temos que cuidar e saber cuidar, sem hesitações, dar banho, mudar as fraldas, tratar do cordão umbilical, amamentar, temos que saber tudo, logo, sem erros, uma mãe sabe, não sabias? E temos que amar, amar instantaneamente, ao primeiro cheiro e ao primeiro toque, temos que amar imediatamente e loucamente aquela criatura minúscula e frágil que ainda agora chegou à nossa vida.

 

Que merda é esta que nos está a acontecer? Parece que fomos atiradas para dentro de um filme e ninguém nos deu a porra de um guião.

 

Regressamos a casa e já não somos nós, nascemos de novo e somos a mãe. E a mãe que pariu um pequeno milagre só pode estar feliz, eufórica, não pode chorar, nem sentir-se confusa. As hormonas que se fodam, a mãe que se recomponha, que meta um sorriso no rosto e que amamente a criança que já está com fome outra vez. Os dias passam iguais e a mãe que sorri nunca se sentiu tão sozinha, vê outras mães que também sorriem e não percebe, algumas já voltaram ao ginásio, mostram a barriga lisa, juram que amaram os filhos ao primeiro olhar e garantem que é tudo fácil, as amigas estão a trabalhar, o marido chega ao final do dia e a mãe sente-se culpada por ainda olhar com desconfiança para aquela criatura que lhe meteram nos braços e de não conseguir estar à altura das expectativas dos outros.

 

O pós-parto é um lugar estranho, solitário e onde as expectativas dos outros em relação ao que devemos sentir e fazer nos fodem o juízo. O pós-parto não tem dia marcado para acabar, não sabemos quando vamos sentir aquele amor avassalador, pode demorar um dia ou vários, a barriga pode demorar meses a ir ao lugar e as putas das hormonas vão ficar descontroladas muito tempo, podemos chorar, podemos pedir ajuda, podemos não saber tudo. E está tudo bem. Vai correr tudo bem.

 

Os outros que se fodam.

 
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