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Ser super mãe é uma treta

Ser super mãe é uma treta

13
Ago18

Parir é parir

Susana

- Os meus filhos nasceram de cesariana. 

- Isso é mais fácil, não é? 

 

- O meu filho nasceu de parto natural e recusei levar epidural. 

- És corajosa!

 

Foda-se, corajosas foram as nossas avós que, quase sempre sem alternativa, pariram em casa. Corajosa foi a minha avó que teve treze filhos e quase todos nasceram em casa, sabe Deus e a sorte como. Nós somos só parvas que, a dada altura, cansadas de ter acesso aos melhores cuidados de saúde, resolvemos entrar no campeonato do sofrimento e do sacrifício, como se no final do dia isso fizesse de nós melhores mães. E adivinhem? Não faz. Impressionante, não é? 

 

Não sei em que momento as mães se deixaram levar para dentro deste campeonato, mas não foi numa hora muito inteligente. Uma mulher engravida, se tudo correr bem a criança passa nove meses dentro da nossa barriga e quando chega a hora, que se quer pequenina, a única coisa que realmente importa é que a criança nasça da forma mais segura possível para ela e para a mãe. Não me parece muito difícil de entender, não me parece minimamente razoável que disto se faça um pódio e matéria prima para se foder a cabeça umas às outras. 

 

Há muitas maneiras de parir: parto natural, com ou sem epidural, de cesariana, dentro de água, em casa e há quem nasça em ambulâncias e até aviões. Há partos mais fáceis, partos mais difíceis, há partos com muito ou pouco sofrimento e nenhum confere às mulheres uma medalha de bom comportamento. Há quem chore, quem grite, quem implore pela epidural, quem não tenha tempo para a levar e quem a recuse, há quem passe vinte e quatro horas em trabalho de parto, há quem chegue ao hospital com a criança prestes a nascer, há quem tenha o parto que planeou e há quem se veja a caminho de uma cesariana de emergência. 

 

Chamamos corajosa a quem opta pela dor e chamamos maluco a alguém que pede para lhe arrancarem um dente sem anestesia. A mim nada me parece mais estúpido que recusar aquilo que a ciência nos trouxe, menos sofrimento, melhores cuidados de saúde e mais segurança a troco de uma superioridade moral que interessa muito pouco. Mas, cada uma faz as suas escolhas, segue satisfeita consigo e, se não foder a cabeça a ninguém, continuamos amigas como antes.

 

Nenhuma escolha relacionada com o parto faz de umas corajosas e de outras fracas, porque a verdade é que cada uma fez aquilo que foi necessário para os ter ali. Naquele momento mágico em que nascemos outra vez e começa esta louca viagem pela maternidade, não precisamos que nos fodam a cabeça com campeonatos, pódios e medalhas. A única medalha que nos deve realmente importar está nos nossos braços. 

 

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